É do nascedouro da vida a grandeza.
É da sua natureza a fartura
a ploriferação
os cromossomiais encontros,
os brotos os processos caules,
os processos sementes
os processos troncos,
os processos flores,
são suas mais finas dores
As conseqüências cachos,
as conseqüências leite,
as conseqüências folhas
as conseqüências frutos,
são suas cores mais belas
É da substância do átomo
ser partível produtivo ativo e gerador
Tudo é no seu âmago e início,
patrício da riqueza, solstício da realeza
É da vocação da vida a beleza e a nós
cabe não diminuí-la, não roê-la
com nossos minúsculos gestos ratos
nossos fatos apinhados de pequenezas,
cabe a nós enchê-la,
cheio que é o seu princípio
Todo vazio é grávido desse benevolente risco
todo presente é guarnecido
do estado potencial de futuro
Peço ao ano-novo
aos deuses do calendário
aos orixás das transformações:
nos livrem do infértil da ninharia
nos protejam da vaidade burra
da vaidade "minha" desumana sozinha
Nos livrem da ânsia voraz
daquilo que ao nos aumentar
nos amesquinha.
A vida não tem ensaio
mas tem novas chances
Viva a burilação eterna, a possibilidade:
o esmeril dos dissabores!
Abaixo o estéril arrependimento
a duração inútil dos rancores
Um brinde ao que está sempre nas nossas mãos:
a vida inédita pela frente
e a virgindade dos dias que virão!
sábado, 7 de março de 2009
À vida
À morte
Sua série Death and Disaster causou polêmica por usar imagens de acidentes automobilísticos, suicídios etc. Mais de 40 anos depois, uma imagem chocante como a usada em Suicide não se compara ao que testemunhamos hoje diariamente em noticiários policiais e nas manchetes dos jornais.

E foi o próprio Andy Warhol o grande precursor dos reality shows que hoje expõem toda a crueza da intimidade e das neuroses humanas e cativa a atenção e o olhar curioso de pessoas de todas as idades. Mas o que está em jogo não é o que somos nem por que fazemos o que fazemos, mas sim a busca pela fama e o sucesso. Todos querem gozar dos tais 15 minutos de fama profetizados pelo pop artista.
Jade Goody tornou-se celebridade aos 21 anos no Big Brother inglês. E ela se acostumou tanto com a vida sob o spotlight que sua morte está sendo acompanhada em tempo real por milhões de pessoas. Jade foi diagnosticada com câncer avançado em agosto de 2008 e, desde então, a mídia vem acompanhando seu tratamento, seus planos para seu próprio funeral, seu casamento às pressas... enfim, Jade ascendeu sob os holofotes e seu ocaso será igualmente espetacularizado, o grande público testemunhou o nascimento e está testemunhando a morte de uma celebridade.Eu nunca havia ouvido falar dela antes de ser noticiada sua doença e seu casamento, mas agora há notícias sobre sua morte lenta e agonizante diante das câmeras com detalhes tocantes como o batismo seu e de seus filhos e outros elementos que, se estivessem numa novela ou numa série de TV, pensaríamos que o roteirista teria pesado a mão e apelado pro dramalhão exagerado para arrancar a todo custo lágrimas dos espectadores.
Verdade ou mentira, seu drama me faz pensar sobre esse processo inevitável que ela enfrenta tão cedo -- Jade tem 27 anos. Não critico sua escolha de vivê-lo publicamente, mas como ela consegue lidar com a iminência de seu fim? Como viver cada minuto com dor e sofrimento, sabendo que em breve tudo estará acabado -- será um alívio? Ela não mais verá seus filhos, não mais estará ao lado do homem que ama... Será que ela pensa se sentirá saudades deles? Há saudade após a morte? Há algo do lado de lá que nos mantenha ligado ao que vivemos aqui? Ou o apego é todo do lado de cá, lá só há liberdade -- ou nada?
Sempre me emociono quando vejo um vídeo de parto natural. O milagre da vida <\clichê> acontecendo ali, diante da câmera, me instiga e me faz imaginar que força superior pode ter projetado toda a complexidade e perfeição disso tudo. Mas há alguns anos vi um filme chamado Faces da Morte (não recomendo), que exibia cenas de pessoas e animais morrendo por razões diversas (doenças, acidentes, rituais etc.) e no fim do filme, um lindo rechonchudo e viçoso nada (ou corre ou engatinha) para resgatar nossa ligação com a vida e mostrar que tudo faz parte do mesmo ciclo. Mas a morte incomoda e dá medo, deixa saudades pros que ficam e revela o grande mistério a quem vai.
Toda esta temática tem estado muito presente. Por acaso ou não, tenho deparado frequentemente com os temas da eutanásia, aborto, suicídio etc. em séries de TV, sites e notícias. E me intriga muito a polêmica que esses assuntos causam e todo o questionamento religioso, ético e filosófico sobre aquilo que é comum a todos os seres vivos -- um dia, todos morreremos. Alguns ricos, outros pobres, alguns doentes, outros saudáveis... mas todos morreremos de uma maneira ou de outra. Só que algumas pessoas querem escolher como e quando, mas não podem... Final Exit é um site incrível sobre eutanásia. (Longe de fazer apologia à morte, ao suicídio ou à eutanásia, estou apenas divagando sobre o tema e não pretendo chegar a conclusão alguma.)
Como descendente de português, entendo bem a relação de apego que temos com a vida e o sofrimento. Há uma lenda medieval portuguesa que mostra como o país de nossos colonizadores se conformou com o destino final de todos e a miséria do mundo: uma senhora portuguesa com certeza, chamada Dona Miséria (quase todas as portuguesas carregam algum gene dessa senhora), recebe a visita da Morte mas consegue prendê-la em sua figueira encantada -- afinal, Dona Miséria era miserável mas não queria morrer. Com a Morte presa, o mundo começa a virar um caos -- as pessoas deixaram de morrer! -- e com muito custo, a Morte negocia sua liberação para poder ir trabalhar, garantindo que nunca levará Dona Miséria. Ou seja, a morte é um mal necessário para o mundo -- e a miséria nunca vai deixar de existir... Hahahahahaha!! Adoro a visão de mundo daquela gente pitoresca da Lusitânia!
Our mind thinks of death.
Our heart thinks of life
Our soul thinks of Immortality.
(Sri Chinmoy)
(Procure no Google Images as palavras «vida» e «morte». A primeira traz imagens coloridas luminosas, cafonas, brilhantes... e as pesquisas relacionadas são «felicidade» e «bebê». Já a segunda, traz imagens sombrias, frias, angustiantes.)
terça-feira, 3 de março de 2009
Ignorância e Preconceito
Outro dia, uma amiga me falou que tinha conhecido um carinha que era uma graça mas que ela achava que ele fosse garoto de programa por se depilar, cuidar demais do corpo etc. (preconceito número 1). Eu falei que era bobagem, que hoje muitos caras fazem isso por vaidade e parece até que o cara era personal trainer, então isso justificava na boa. Mas ela tinha medo que ele fosse garoto de programa porque ela queria transar com ele e tinha medo que ele tivesse "aids" (preconceito número 2).
Bom, eu falei para ela que em primeiro lugar, muitos profissionais do sexo se cuidam mais do que muita gente que transa (muito) por aí sem cobrar; em segundo lugar, ela deveria tomar todos os cuidados possíveis e necessário com todos os caras que ela conhecesse, independente de idade, profissão ou status sorológico.

Uma pessoa que tem vida sexual ativa deve se informar sobre formas de contágio e usar esse conhecimento para se prevenir, se proteger e proteger a quem se ama. Ficar indiferente ou ignorante no que diz respeito ao hiv e outras doenças sexualmente transmissíveis é falta de amor próprio. Como diz Susan Sontag,
Aids obliges people to think of sex as having, possibly,
the direst consequences: suicide. Or murder.
Pode soar dramático demais, mas é mais ou menos por aí. (Mais de Susan Sontag em breve.)
Algum tempo depois ela veio me contar que tinha transado com o cara e que achou ele muito cheio de frescura (!). Pedi um exemplo e ela falou "ele não quis me beijar depois de gozar na minha boca" (!!!). Bom, nem vou entrar nessa velha questão se o homem deve ou não beijar a boca onde ele acabou de gozar, isso é problema do gozador e do gozado. Mas para uma pessoa que parecia preocupada com a profissão e o status sorológico de um desconhecido, chegar ao ponto de deixar o cara gozar em sua boca pouco tempo depois de tê-lo conhecido mostra como as pessoas continuam MUITO ignorantes (e, por conseguinte, preconceituosas) e, por isso mesmo, não estão se cuidando como deveriam.
domingo, 1 de março de 2009
Serenidade, coragem e sabedoria
Considero-me uma pessoa bem informada. Leio muito: blogs, livros, diversos sites de notícias nacionais e estrangeiros, uma revista semanal... e interajo com pessoas bem informadas, vejo documentários e noticiários, enfim, fico antenado em diversos assuntos e procuro me manter a par do que anda acontecendo pelo mundo afora.
Desde que me tornei poz, me dediquei a ler mais sobre o assunto e de tempos em tempos jogo no google "hiv cure" para saber o que há de novidades em pesquisas etc. Mas uma coisa que eu não consigo ler nem por um decreto é o que há de informação sobre a evolução do quadro clínico de hiv+, estatísticas de doenças relacionadas etc. Simplesmente me aterroriza saber a incidência de determinados tipos de cânceres que, por fatalidade ou uma piada cósmica de muito mau gosto, contribuem para tornar mais miserável a luta contra o hiv e pela vida.
Mas é inevitável cair nalgum blog ou site médico que informa sobre o assunto e eu fico entre fechar a janela e seguir contemplando o que desponta no horizonte dos hiv+. Lembro de todos os filmes que vi sobre o surgimento da aids e como a doença destruiu a vida de indivíduos, famiílias e comunidades e de histórias nada inspiradoras de pessoas que se negaram a se tratar como manda o figurino, como foi o caso da cantora israelense Ofra Haza que, apesar de negado pela família, manteve em segredo seu quadro e não buscou tratamento por vergonha ou sabe-se lá por quê. (Essa versão da história foi amplamente comentada na sociedade israelense, segundo um amigo meu de lá.)
Tentei ver "Angels in America", uma premiadíssima série de 6 capítulos feita para a tv e que contou com a participação de grandes nomes como Al Pacino, Meryl Streep, Emma Thompson, Mary Louise Parker e outros. Trata-se de um drama fantástico que retrata a vida dos homossexuais e pessoas atingidas pela aids em meados da década de 80 com direito a presença de anjinhos e outras gracinhas, mas nem posso falar muito mais a respeito porque não consegui passar do primeiro capítulo. Ainda voltarei a tentar, mas realmente não tive estômago nem cabeça para acompanhar uma dramatização quase desesperadora do que foi a doença no início e o que ela ainda traz às vidas das pessoas que convivem com ela.
É claro que é importante entrar em contato com a história da doença e poder conhecer o impacto que causou na vida das pessoas pelo mundo afora. Por isso vi alguns filmes e documentários, leio tantos blogs e pesquiso na Wikipédia sobre a vida de pessoas que se tornaram célebres justamente por sua luta contra o hiv, a aids e o preconceito. Mas ver uma cena com Al Pacino se negando a aceitar o diagnóstico do médico porque ele não poderia ter aquela doença de homossexuais e drogados é muito pouco perto da cena em que o cara descobre ser soropositivo, diz que está evacuando sangue e espera o momento de morrer sem saber se seu namorado (ou amante ou companheiro) ficará ao seu lado naquela luta -- e o conflito do segundo entre ficar e pular fora... Enfim, muito intenso para qualquer pessoa sensível e muito mais para quem convive com a questão mais intimamente -- correndo pelas próprias veias, eu diria.
Por isso, sei da importância de lutar pela qualidade de vida e manter o foco em projetos construtivos, o que inclui minha saúde. Mas como sou curioso mesmo, sei que vou sempre esbarrar nas más notícias, como essa que acabo de ler no BBC Health: a evolução do hiv dificulta o desenvolvimento de uma vacina, o que pode levar décadas para se tornar realidade, pois o vírus sempre estará um passo à frente.
Por isso, digo e repito: "Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras".
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Health Report
Publicado recentemente um estudo que aponta para boas perspectivas no tocante à terapia genética para tratar o hiv, esta notícia vem como uma lufada de ar fresco para quem, como eu, estava angustiado com a crise e a desaceleração nas pesquisas da indústria farmacêutica -- que já estão ganhando dinheiro suficiente com as drogas existentes. Obviamente, não é o caso de soltarmos fogos, mas é bom saber que ainda há muita gente trabalhando duro para encontrar uma cura.
Por outro lado, o governo chinês acabou de divulgar que a aids já lidera a causa mortis entre as doenças infecto-contagiosas, alertando para o grave problema tanto na prevenção como na assistência aos hiv+ na China. O preconceito, a falta de informação e a imigração ilegal são os maiores responsáveis por estes dados alarmantes. Em números relativos, não é algo assim tão assustador, pois trata-se do país mais populoso do mundo. Mas em números absolutos, é assustador imaginar que 7.000 pessoas morreram de aids no país somente nos primeiros 9 meses de 2008, contra 8.000 mortos nos 3 anos anteriores. Esse aparente aumento pode ser atribuído a estatísticas pouco confiáveis e até a um certo jogo duro do governo chinês em admitir estar enfrentando um grave problema de saúde pública envolvendo o hiv sem culpar os imigrantes de outros países da região que acabam encontrando na prostituição um meio de sobrevivência.
Enquanto isso, o Brasil deve iniciar a produção de mais dois medicamentos que estarão disponíveis aos hiv+ pelo SUS, ampliando as chances de tratamento para os que desenvolveram resistência ou não tiveram sucesso com os arv's já distribuídos pelo Ministério da Saúde.
Duas notícias animadoras e outra um tanto preocupante, mas as coisas parecem estar evoluindo positivamente. O importante é termos em mente nosso dever de informar e nos manter informados sobre hiv e aids.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Crossroads 2
Como nada havia acontecido desde o último post, somente agora posso contar alguma novidade.
Depois de duas semanas sem nos encontrarmos, acabamos indo ao cinema no domingo. Já dentro do cinema, começamos a ir um pouco além do que havíamos nos permitido. Sem entrar em maiores detalhes, assistimos ao filme inteiro com carícias, digamos, mais ousadas. E dali, fomos jantar mas já pensando no que faríamos depois.
E fomos para a casa dele. Como as duas semanas resultaram numa certa esfriada e as incertezas quanto ao futuro dessa relação ficaram ainda maiores, resolvi não revelar ainda meu status. E nos limitamos, mais uma vez, a curtir carícias e a intimidade sem irmos muito além disso. Ou seja, ainda estamos nos conhecendo e não chegamos às vias de fato. Hehehehe.... Tanto rodeio para dizer que a gente nao fodeu pra valer, i.e., ninguém comeu ninguém e não rolou sexo oral.
Enfim, depois dessa noite, nos encontramos para um café antes de ele embarcar para ficar 2 semanas fora. E tivemos um papo muito bom sobre como cada um encara os relacionamentos, o que aprendemos com experiências anteriores etc. Foi muito interessante, quase uma declaração de intenções e foi nesse momento em que percebi que o caminho está aberto, ou seja, ele já se relacionou com um hiv+ e disse que não deixaria de se envolver com alguém por causa disso. Mas depois de quase duas horas de muita informação e como ele estava embarcando para passar duas semanas fora, fiquei aliviado mas não achei que seria o melhor momento de declarar meu status. Apesar disso, estou muito mais tranquilo e me sinto menos pressionado a tomar posição e temeroso da resposta.
Como é o tipo de situação que depende de muitos outros fatores, apesar da conversa que tivemos nem eu me sinto tão disponível assim, nem ele está com tanta disponibilidade por conta da vida agitada que leva dividindo-se entre 2 cidades, estamos nos curtindo aos poucos. Se nossos encontros começarem a ganhar clima de romance, a oprtunidade vai surgir e vou acabar falando antes que o envolvimento fique grande demais. Se formos continuar nessa marcha lenta, então não vou tornar isso um drama desnecessário para não desencadear um transtorno de ansiedade. He...
Em todo caso, está sendo muito bom, ainda mais depois de uma separação traumatizante e mal resolvida que ainda envolve um bocado de hostilidade (recentemente, ao perguntar ao meu ex se ele havia feito exames e se estava tudo bem, ele disse: «Estou limpinho da silva! Pode ficar tranquilo, viu? Mesmo tendo a certeza, que pra vc, se eu fosse positivo, seria muito conveniente, pois não precisaria nunca mais usar a camisinha que vc tanto odiava!» como se eu desejasse a alguém que amei/amo tanto ser infectado e pior, que eu infectasse essa pessoa!! Além disso, eu nunca detestei usar camisinha e não me infectei por ter praticado sexo inseguro a torto e a direito).
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Crossroads
Ele confessou que seu relacionamento mais recente foi com um hiv+ e que saiu desta relação com um pouco de depressão, muito envolvido na temática da doença e da morte. Falou isso sem peso nem acusações e ainda ressaltou que a relação deste ex-namorado com seu próprio status sorológico era muito complicado, o que para ele era absolutamente compreensível, ainda que pesado. Soma-se a isso mais dois ou três casos de pessoas próximas na mesma situação, o que detonou nele uma certa paranóia com relação à morte e à finitude. Não perguntei como ou por que o relacionamento terminou e ainda me segurei um pouco mais antes de falar de meu próprio status sorológico.
Hoje deverá ser o dia. Não sei se consigo ir um pouco mais além nesta dança que iniciamos sem que ele saiba com o que está lidando. É a primeira vez que passo por isso, nunca tive que confessar a alguém com quem estivesse iniciando um envolvimento para além do sexo o meu status sorológico -- e sempre tive pânico de ter que enfrentar essa situação. Mas devo confessar que está sendo tudo tão natural e gostoso que mesmo que ele não consiga lidar com isso e esta questão se torne um empecilho à relação que nem começamos ainda, já terá sido de grande valia. É sempre bom conhecer pessoas que valem a pena num mundo em que testemunhamos com frequência a sordidez humana nas relações -- sejam elas amorosas, familiares ou profissionais.
Sinto-me como um menino pré-adolescente experimentando um de seus primeiros amores, com timidez e cuidado me aproximando do outro e sem saber o momento certo de ceder totalmente ao que me chama.
Aguarde as cenas dos próximos capítulos.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
reality shock
Depois do susto inicial, o susto da perspectiva de ir para tão longe. Em seguida, a empolgação: uma experiência incrível num país totalmente diferente de tudo que eu já vi, um mega plus no meu currículo, uma possibilidade de abrir novas portas internacionalmente.
Daí, o choque: o certificado de saúde. Os sites de informação sobre o assunto afirmam que o hiv é motivo para recusa de visto e deportação.
Choque de realidade, essa que está comigo, a minha volta e dentro de mim. Esta realidade que afasta pessoas, me separa dos demais e me coloca na classe inominada dos excluídos das possibilidades que as pessoas podem ter. E do poder de escolha de qual caminho seguir.
Uma regra recente do governo daquele país ainda afirma que o hiv não pode ser mais motivo de recusa de visto de trabalho e residência, mas a teoria não necessariamente caminha de mãos dadas com a prática. E não sou eu quem vai atestar isso pessoalmente e correr o risco de sofrer na pele a recusa de um visto e encarar a possibilidade de uma deportação.
Então ficamos assim; "obrigado pelo convite, mas não posso aceitar."
E a vida continua.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Love is positive
Dicas interessantes para lidar com a situação:
- Get to know the person who you are interested in dating. If you are considering dating someone living with HIV, you should take the time to really get to know that person and find out about his/her interests, likes, dislikes and goals. It is important to build a strong friendship with that person before rushing into a serious relationship with him. Also, make sure that you do not engage in any type of sexual activities at the beginning of the relationship.
- Take time out of your schedule to learn about HIV. You can find information on the Internet, visit a library for books and materials, or stop by a local health centre to pick up brochures and handouts about HIV. This can help you better understand the virus before developing a close or intimate relationship with someone who has HIV.
- Talk with your potential partner about his/her HIV status. Find out more about his/her illness, such as how often he/she visits the doctor, the medication he/she is taking, side effects experienced from the medicine, current viral load and white blood cell count. This can give you some insight on the severity of your partner's illness, daily schedule and what might be expected from you, as a partner.
- Discuss your future relationship and be honest about your concerns. If you decide to date someone with HIV, it is important to discuss your feelings and concerns with that person. Determine the type of relationship you want to have (such as casual dating, an intimate relationship or something long-term with the possibility of marriage) and make sure the other person wants the same thing.
- Use protection when engaging in sexual activities. HIV is transmitted through infected blood, semen and vaginal secretions, so it is important to protect yourself if you do participate in any type of sexual activity with an infected person (such as vaginal, anal or oral sex). Be sure to use a latex condom each time you have sex with someone who has HIV.
- Know your HIV status. If you are involved with someone who has HIV, you should get tested for the virus at least once every six months.
- Provide emotional support to your partner. Let your partner know that you are there for him/her and encourage your partner to open up and talk to you. Also, be sure to accompany your partner on doctor visits whenever you can. This shows your partner that you really do care and that you are concerned about his/her health.
World Aids Day

Deixo aqui um abraço especial ao meu amigo Taner Waterfall do blog EU e o HIV:Vivendo um Dia Após o Outro... que eu leio assiduamente e por quem cultivo grande carinho e admiração. A luta é minha, dele e de todos os que convivem com o hiv e de todos os que se importam.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Estigmas da soropositividade
As duas infectologistas com quem me tratei até hoje me surpreenderam com as reações que tiveram ao saberem de como me infectei e sobre meu uso de drogas.
Na anamnese, quando o assunto é sexo protegido e como eu me infectei, as duas se espantaram ao saberem que eu sempre me cuidei e a infecção não se deu num momento da minha vida em que eu me joguei em aventuras sexuais intensas e de alto risco. E as duas duvidaram quando eu disse que não sou um usuário habitual de drogas ilícitas -- com a exceção da maconha que eu adoro e se fosse fácil comprar, eu fumaria todos os dias com certeza. Mas como não tenho acesso fácil, acabo fumando muito eventualmente.
Em primeiro lugar: a fama de promíscuos que todos nós, homens gays, temos é condizente com a realidade? De certa forma, sim. O homem naturalmente pode se aventurar de maneira mais intensa e indiscriminada em relações sexuais frequentes com parceiras (os) diferentes. E falo isso porque experimentei e testemunhei a facilidade com que homens gays ou heterossexuais podem buscar sexo com uma diversidade de parceiros e/ou parceiras num curto espaço de tempo. Casas de massagem no centro do Rio de Janeiro oferecem preços especiais para duas "massagens" com duas "massagistas" diferentes. Nas saunas gays e clubes de sexo, poucos são os que se contentam com um parceiro apenas, experimentando o sexo rápido e fácil com diversos parceiros e quase sempre evitando repetir a dose com o mesmo carinha... a não ser que tenha sido algo realmente excepcional. Mas a quantidade e diversidade costumam ser mais importantes do que a qualidade.
Obviamente, generalizar é sempre um equívoco, eu já conheci homens gays que nunca colocaram os pés numa sauna ou num quarto escuro e não se contentam com sexo casual, buscam antes um relacionamento ou envolvimento maior para o sexo acontecer. Mas como regra, os homens são mais promíscuos sim e as saunas gays são um fenômeno que apenas confirma essa característica da sexualidade masculina -- e facilita sua manifestação.
Mas é curioso como mesmo entre os soropositivos, parece que há uma necessidade de se isentar de qualquer julgamento ou culpa afirmando que a infecção se deu num relacionamento ou num acidente eventual. Vi isso em sites de relacionamento e em diversos relatos e blogs de soropositivos a respeito da soroconversão.
Uma vez li sobre uma artista, não me lembro agora seu nome nem detalhes, mas ela se infectou através de uma transfusão de sangue ou um parceiro fixo e se destacou por falar publicamente de seu status, mas gostava de deixar bem claro que sua infecção se deu "acidentalmente" e que ela não era como os "outros", aqueles que praticavam sexo desprotegido com inúmeros parceiros ou que usavam drogas injetáveis.
De certa forma, também sou um exemplo disso, nem tanto para me diferenciar dos "outros", os promíscuos que fazem sexo indiscriminado sem proteção ou os drogaditos, mas para chamar atenção para o fato de que qualquer um pode se infectar, independente da frequência e da quantidade de vezes que se expõe. E a maior prova disso é que, depois de eu me infectar numa exposição rápida e única, um evento isolado num momento da minha vida em que eu me encontrava um tanto sossegado, eu retomei um namoro e meu namorado (agora ex) não se contaminou, mesmo depois de muitas relações sem proteção comigo. Com certeza ele se expôs mais vezes ao risco de se infectar do que eu, e não foi infectado -- graças ao bom Deus que o preservou são e salvo e me livrou dessa, pois eu jamais me perdoaria...
Outro aspecto que não entendo é a relação estigmatizada dos gays com as drogas. Eu não entendo por quê, nem sei se é um dado estatisticamente comprovável, mas parece que se espera que os gays usem droga (s) ilícita (s) -- maconha, ecstasy, cocaína... No MixBrasil, por exemplo, notícias sobre legalização da maconha são colocadas lado a lado com outros assuntos de interesse do público gay.
Mais uma vez me pergunto: procede essa relação entre gays e drogas? Mais de 80 por centos dos caras com quem me relacionei não usavam nenhum tipo de droga, nem as lícitas, e os que usavam, se limitavam a um baseadinho eventual, quando rolasse. Mas as raves e os clubes de música eletrônica parecem estar tomados de bibas enlouquecidas cheias de bala na cabeça, não é?
Talvez por ser um público **em tese** mais liberal com relação a alguns assuntos (pois não creio que os gays sejam mais liberais e menos preconceituosos, pelo contrário), este tema seja tratado com mais liberdade. Sei lá, mas eu tive de convencer às duas médicas que não sou um usuário habitual de drogas ilícitas. Assumia meu tabagismo (parei há 3 semanas!!!) e bebia (ainda bebo!!!), mas convencê-las de que NÃO USO TÓCHICOS era um custo...
Não posso condená-las por esse preconceito, os estigmas são colocados pela sociedade bla bla bla, mas por outro lado também somos responsáveis de alguma forma. No início da era do hiv, os grupos em que o vírus se disseminou mais rapidamente foram os gays e os viciados em drogas injetáveis. Com o tempo, este quadro mudou, mas novamente as estatísticas mostram que os gays e os usuários de drogas apresentam um crescimento vertiginoso de novas infecções. E o nível de tabagismo e consumo de álcool entre gays e lésbicas é consideravelmente alto, indicam várias pesquisas em várias partes do mundo.
Por isto, sinto que alguns soropositivos lutam contra não apenas o estigma da doença, mas também os demais estigmas que são vinculados ao seu status, como se o fato de ser promíscuo e drogado colocasse uma carga maior sobre seus ombros e a doença fosse, de certa forma, um castigo, um ônus a ser pago por suas escolhas **indevidas**.
domingo, 28 de setembro de 2008
People are still having unprotected sex

Have you noticed
That people are still having sex?
All the denouncement
Had absolutely no effect.
Parents and counselors
Constantly scorn
them,
But people are still having sex
And nothing seems to stop
them.
Do you realize
That people are still having sex?
They've
been
told no to,
Perhaps they are perplexed.
When you see them
holding hands
They are making future plans
To engage in the activity;
Do you
understand me?
People are still having sex.
Lust
keeps on lurking.
Nothing makes them stop;
This AIDS thing's not
working.
People
are still having sex;
It's been going on for
quite a while.
Perhaps it
is quite fashionable.
It hasn't gone out
of style.
It's a fact that
people are still having sex;
It's
rather obvious--
It's just what one
expects.
The evidence is all
around
That everyone in everytown
Has
had it at one time or another
in their life.
At this very moment,
People are still having sex.
In a downtown condo
Or a street in the
projects.
Even though you
can't see them
Or hear their breathing sounds,
Someone in this world
Is having sex right now.
People are still
having sex.
People
are still having sex.
People are still having sex.
People are still
having sex.
