sexta-feira, 25 de março de 2011

Liz Taylor e a aids


A morte de uma grande atriz sempre causa uma certa comoção. Particularmente, não costumo me comover com a morte de celebridades, principalmente as que atingiram uma certa idade, que curtiram a vida a doidado e muito contribuíram para as artes e as manchetes de jornal. Mas Liz Taylor tem uma história que me faz sentir muito sua morte.
A começar pelo seu talento como atriz, que me surpreendeu quando assisti a "Quem tem medo de Virginia Woolf?" -- até então eu achava que ela era mais um rostinho bonito do que qualquer outra coisa. E que rosto bonito! Uma das belezas mais marcantes da história do cinema, sem dúvida.

Mas Liz Taylor foi muito mais do que isso. Ela fez uma grande diferença.

Ela promoveu o primeiro grande evento para arrecadação de fundos para o AIDS Project Los Angeles -- e isso foi em 1984! Durante a organização deste evento, ela soube que Rock Hudson, outro lindo do cinema, estava muito doente, na verdade, morrendo de aids. Um grande amigo e colega padecia do mal que assolava o mundo e causava pânico, horror e muito preconceito.
No ano seguinte, ela fundou a The American Foundation for AIDS Research (amfAR), juntamente com um pequeno grupo de médicos e cientistas. Ela usou seu nome e sua imagem para chamar a atenção dos meios de comunicação de massa para o problema da aids, ajudando nas campanhas de conscientização, prevenção e no combate aos estigmas da doença. E ao longo dos anos, atuou como porta-voz de centenas de milhares de pacientes de aids, desempenhando um papel fundamental num momento em que ninguém ousava ter qualquer ligação com a praga divina que veio castigar os drogados, promíscuos e homossexuais pelo seu estilo de vida pecaminoso. Liz ousou falar em público, em congressos internacionais, nas Nações Unidas, onde fosse necessário para que o mundo fizesse o que tinha que ser feito para amenizar o sofrimento dos doentes de aids e evitasse que a doença atingisse proporções calamitosas.
Não satisfeita, em 1991 ela fundou a The Elizabeth Taylor AIDS Foundation (ETAF) com foco na prestação de serviços de prevenção e cuidados de pacientes de aids.
Ou seja, Ms. Taylor era muito foda!
E sua morte encerra uma era em que ser estrela de Hollywood exigia muito mais talento e glamour do que as atuais atrizes de renome são capazes de suportar. Segundo Camille Paglia, Sharon Stone seria a grande exceção mas, ainda assim, a era de ouro das grandes divas do cinema se foi há muitas décadas e Liz Taylor foi uma das representantes mais emblemáticas do estilo de vida das grandes estrelas -- e com certeza foi uma das mais humanas.
Ao longo de todos esses anos, ela foi uma porta-voz importante, exigindo que políticos e a sociedade em geral se mobilizassem para o problema da aids. Ela usou seu nome e seu status de celebridade para ajudar a dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo, tendo arrecadado centenas de milhões de dólares para pesquisa, campanhas de prevenção, apoio direto aos pacientes de aids, entre outros.
Dame Elizabeth Taylor não deixa um vácuo porque sua obra e seus filmes perpetuarão seu trabalho. E ela fez o melhor para garantir que seu trabalho pela aids não perca a força com a sua ausência. Uma atriz formidável, uma pessoa incrível, uma mulher inesquecível.

terça-feira, 1 de março de 2011

Vacina reduz carga viral

Deu no G1

Brasileiros acham proteína que pode ser usada em tratamento contra Aids

Pesquisadores brasileiros conseguiram identificar uma proteína que vai ajudar a desenvolver no Brasil uma vacina para o tratamento da Aids. O trabalho foi feito por cientistas de três universidades no país: em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Pernambuco.
O tratamento desenvolvido com vacina terapêutica por pesquisadores das universidades federais de Pernambuco e do Rio de Janeiro e da Universidade de São Paulo não é preventivo, mas pode melhorar a qualidade de vida dos doentes. Dezoito pacientes já testaram a vacina e a metade deles teve a carga viral reduzida a quase zero.
Os pesquisadores quiseram saber porque um grupo de pacientes reagiu melhor à medicação do que o outro. A resposta está nos fatores genéticos. As células de defesa dos pacientes que mais reduziram a carga viral produzem uma quantidade maior de uma proteína específica, chamada NALP.
“O papel desta proteína no combate ao vírus da Aids é reconhecer o vírus e chamar a atenção de outras proteínas inflamatórias que geram a cascata de eventos moleculares, visando à destruição do vírus mesmo”, afirma Sérgio Crovella, professor da UFPE.
A partir da presença da proteína NALP nas células de defesa, os pesquisadores desenvolveram um marcador genético, que permite identificar quais os pacientes mais resistentes e os mais vulneráveis ao vírus da Aids.
A descoberta vai definir o critério de seleção dos doentes para os estudos e poderá melhorar a qualidade da vacina. O mais novo passo em direção à vacina terapêutica está sendo comemorado pela comunidade científica.
“Ajuda a gente a pensar melhor, a entender melhor o mecanismo da doença e da infecção, e a confecção mais inteligente da vacina”, diz Luiz Cláudio Arraes Alencar, afirma o pesquisador da UFPE.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Vacina catalã


Diretamente da terra de Dalí, Miró e Gaudí vem a notícia de uma nova vacina que está tendo bons resultados na redução da carga viral em pacientes de hiv.
Apesar de os resultados serem animadores, a vacina não chegou ao ponto de tornar a carga viral indetectável, portanto continuarão as pesquisas para obter uma vacina mais eficaz. Ainda assim, a nova está muito acima do que outras tentativas anteriores tiveram como resultado. Para se ter uma idéia, com esta vacina, pode ser que o paciente consiga ficar até um ano sem tomar medicamentos antirretrovirais.

Fonte: UOL Ciência e Saúde

Tenofovir será produzido no Brasil




Ministério da Saúde anunciou a produção de genérico do Tenofovir para o tratamento do hiv, reduzindo o custo do remédio que já é distribuído pelo SUS.

Veja aqui mais informações sobre os medicamentos de aids no Brasil.

Olhai por nós, São Luís Gonzaga...


...  e São Peregrino Laziosi e Santa Teresa de Lisieux!

Ao descobrir a existência de um Santo protetor dos doentes de aids, São Luís Gonzaga, fui correr atrás da confirmação desta informação. Esta página conta com detalhes a vida deste Santo, mas encontrei  esta lista que diz haver mais dois santos padroeiros de dos pacientes de aids, como se vê logo no início da lista.
Ou seja, temos São Luís Gonzaga no dia 21 de junho, Santa Teresa de Lisieux no dia 1o de outubro e São Peregrino Laziosi no dia 1o de maio.
Quem acreditar e gostar da coisa, pode fazer novenas e peregrinações, é só procurar no Google que vem muita coisa para cada um desses santos.


Perê, Lú Gonzaga e Terê.


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Ratos, hormônios, genes e a cura do hiv


Esta notícia está fresquinha, mas logo vai bombar: estudo australiano anuncia o que pode ser o grande salto para a cura definitiva do hiv. Sim, não estamos falando de controle da infecção, mas da erradicação do hiv do organismo. E os cientistas já conseguiram esse resultado num ratinho!
Pesquisadores de Melbourne, Austrália, descobriram um meio de estimular o corpo humano a eliminar processos infecciosos tais como os do hiv, hepatites e tuberculose resistente. Desta forma, o próprio corpo humano seria capaz de fazer o que as drogas até agora se mostraram ineficazes.
O estudo realizado em camundongos mostrou que a aplicação do hormônio IL-7 por três semanas aumentou a resposta imunológica do organismo a ponto de eliminar o hiv do corpo.
E mais do que isso: o hormônio desligou o gene SOCS-3, que, acredita-se, é ativado em infecções agressivas para conter a resposta imunológica do organismo e impedir que o próprio sistema imunológico cause danos à saúde da pessoa infectada (o que pode ocorrer se a reação à infecção for excessivamente intensa). Mas no caso de determinadas infecções, o SOCS-3 pisa fundo no freio e o sistema imunológico fica com uma resposta limitada demais, fazendo com que a infecção perdure.
No caso do camundongo usado, este gene foi desligado no interior das células T, permitindo que o organismo produzisse um número consideravelmente maior de células que atacam especificamente o hiv, erradicando-o.
A princípio, os cientistas acreditam que um possível tratamento com IL-7 poderia ser usado em conjunto com os antirretrovirais usados atualmente, mas os testes em humanos não devem começar imediatamente.
Fontes: ABC News e EmaxHealth

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Gírias e eufemismos

Outro dia, eu abri uma página do dicionário informal online e deparei com algumas gírias para o hiv: tia, vírus da morte, pan e veneno. Curiosamente, os antônimos são liberdade, cura e milagre.

Daí, bateu-me a curiosidade de ver quais gírias foram ou ainda são usadas para o hiv e a aids. Lembro-me bem de quando não se falava o nome da doença, apenas se dizia "a maldita", como em "fulano parece estar com a maldita".

"Tia" era mais comumente usada entre travestis de baixa renda e servia de eufemismo para tirar o peso do nome da doença. Também entre elas, ser soropositivo era ter o "sangue sujo", lembrando que a palavra sujeira tem o peso da doença e também um juízo moral, como se o fato de se ter o sangue sujo falasse algo da índole da pessoa ou ainda uma certa culpabilização.

Entre as putas e travestis, havia uma forma carinhosa de se referir à contaminação pelo hiv: "passar o doce ou "receber o doce", como em "foi a fulana que passou o doce pra maricona" ou "a fulana recebeu o doce daquele ocó". Muito meigo.
Lembra um pouco as gírias inglesas que se referem aos "gift givers", presenteadores ou aqueles que dão o "presente" -- transmitem o hiv aos "bug chasers" (hiv- que procuram se infectar) em "bug parties" (festas onde homens sorodiscordantes -- hiv+ e hiv- -- transam sem proteção com o intuito de propogar o vírus).

Outra forma mais genérica de se referir à transmissão de doença é "carimbar".

Uma mulher portadora do hiv, por exemplo, é uma "mulher chumbinho", mas essa eu acho que está mais para a turma do funk e aquelas meninas que chamam os outros de ném. Não me lembro de ter ouvido esta gíria entre minhas amigas travas.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

É tudo uma questão de amor!

Talvez ninguém possa compreender a importância que o tempo e os ciclos têm em nossas vidas tão bem quanto as pessoas que de alguma forma enfrentam ou enfrentaram mais diretamente a morte ou de alguma forma tiveram que lidar com a sua mortalidade.Ser soropositivo traz a cada dia vivido um gosto de satisfação, como se mais um dia com saúde e apto a gozar a vida fosse uma conquista.
Um ano que começa marca essa conquista com mais força. E eu ainda faço aniversário neste período de virada/início do ano, então é um momento em que a passagem do tempo fica bem marcada -- e sempre celebrada.
Agora mesmo eu lia uma crítica sobre "I'm Dangerous With Love", um documentário estadunidense sobre drogas em que um ex-viciado fala do prazer de ficar grisalho, calvo e usar óculos para ler. Ou seja, uma pessoa que rumava em direção á sua destruição física, celebra tudo aquilo que as pessoas mais repugnam na passagem do tempo: envelhecer. Viver e envelhecer tem um gosto de vitória para aqueles que por alguma razão vêem ou viam um horizonte mais curto.



Quando eu era muito pequeno, talvez com uns 5 ou 6 anos, fui entrevistado por uma rede de televisão educativa sobre o futuro -- o que o futuro significava para mim. Enquanto eu falava com a repórter, me vinha uma imagem clara de um pôr do sol amarelo ouro, com a silhueta escura de longas montanhas. Não lembro o que respondi àquela altura, mas lembro perfeitamente da imagem e hoje me pergunto como e por quê uma criança de 5-6 anos vê o futuro como um pôr de sol? Que sentimento seria expresso em tal imagem?

O pôr do sol muitas vezes é marcado por uma melancolia, uma momento quase desagradável, angustiante. Para aquele menino, o pôr do sol era o seu porvir, uma expectativa a ser atingida ou um caminho a ser seguido. Sem melancolia nem angústia, o pôr do sol é a expressão de um ciclo cumprido -- e ao longo da vida, muitos são os ciclos que cumprimos.

Recentemente assisti ao filme "Enter the Void" de Gaspar Noé. Sem fazer muita ideia do que se tratava, fui tragado para o olho de um furacão de experiências sensoriais sobre a morte. O filme tem a pretensão de mostrar, de acordo com o Livro Tibetano dos Mortos, como seria o processo espiritual da morte e a transição do espírito para uma nova encarnação. Foi impactante demais, rendeu noites de insônia e muitos sonhos intensos envolvendo elementos diversos como sexo, animais venenosos, estrelas de cinema etc. Para os tibetanos, a morte e os estágios pelos quais o espírito atravessa até reencarnar exigem desgastar os traumas e as tramas de emoções e afetos experimentados ao longo da vida. E uma morte violenta num contexto mais barra pesada (para não dizer sórdido) pode trazer uma experiência mais tormentosa.


O medo da morte pode estar ligado ao apego a esta vida (as pessoas, os prazeres mundanos etc.) e o medo do desconhecido, claro. Se a morte significa o nada, um vazio total sem qualquer consciência ou percepção, um apagar total de tudo, o fim per se, o medo de morrer pode se justificar por não ter mais contato com as coisas boas e as pessoas amadas neste mundo. Por outro lado, uma morte que traz um processo de transição consciente em que podemos inclusive acompanhar de perto pessoas amadas pode trazer uma angústia ainda maior por não podermos fazer nada além de acompanhar de longe a vida delas. Ou seja, a saudade deve bater forte e o desapego deve ser difícil. Em suma, a morte foi e sempre será um mistério, independente da crença que se tenha no que vem depois, ninguém sabe como enfrentará o que encontrar do outro lado.

Há poucos anos, perdi um irmão ainda jovem (num acidente logo após o Ano Novo), com projetos e muito desejo de realizar mil coisas na vida. Ali, naquele momento de dor profunda, tive clareza de que o importante não é a quantidade de anos vividos, mas a qualidade com que vivemos cada dia, cada momento. Nada se leva deste mundo, mas deixa-se muita saudade e muitas lembranças boas. Todo início de ano eu celebro as boas memórias que guardo do meu irmão. Pode parecer contraditório afirmar que a qualidade do tempo vivido é mais importante do que a quantidade, já que comecei este post falando da vitória de cada dia vivido com alegria e gozo, mas aí é que está a grande mágica disso tudo: viver os dias, os meses, os anos com alegria e gozo, comemorando cada ciclo encerrado e cada recomeço como uma bênção, uma conquista.

Numa entrevista no Inside the Actors Studio, Sharon Stone contou que estava ao lado de um amigo que morria de aids quando ele apagou totalmente, encerrando aquele doloroso processo. Ela estava sozinha no quarto com ele, que parecia ensaiar a passagem apagando totalmente e retornando. De repente, ele se foi e voltou com um ar de estarrecimento, dizendo "It's so beautiful! It's just so beautiful!", quando ela perguntou "What?", ao que ele respondeu "It´s all about love!" (no minuto final deste vídeo do YouTube)

Viver é uma questão de amor. Sem sombra de dúvida.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

a cura do hiv -- ou pelo menos, é o que parece

Essa história já vem rolando há algum tempo, mas na semana passada foi tornada oficial.
Uma descoberta meio que por acaso, eles aproveitaram a situação do paciente para tentar algo e o resultado pode ter sido fruto da sorte, ou seja, o mesmo procedimento aplicado a outros pacientes não poderá garantir o mesmo resultado. Além disso, os riscos eram altíssimos e as complicações não ficaram nada a dever
Em todo caso, é o único caso de cura do hiv reconhecido pela ciência até o momento (os das igrejas evangélicas são ainda um pouco polêmicos...).


Pesquisadores alemães afirmam ter curado portador de HIV

Um grupo de pesquisadores alemães afirmou nesta terça-feira (14/12) ter curado um homem portador do vírus HIV utilizando células-tronco adultas. Este seria o primeiro caso documentado de uma pessoa curada do vírus, que já vitimou milhões de pessoas ao redor do mundo.

De acordo com os pesquisadores, o norte-americano Timothy Ray Brown, de 44 anos, que vive em Berlim, recebeu as células-tronco, retiradas da medula óssea de um doador, para um tratamento de leucemia em 2007. O doador das células tinha uma mutação: não produzia a proteína CCR5, fundamental para a multiplicação do vírus HIV no organismo humano.

Desde então, três anos e meio depois, o norte-americano não toma mais medicamentos para conter o vírus, nem mostra sinais de leucemia. De acordo com os pesquisadores alemães, "os resultados sugerem que a cura do HIV foi atingida nesse paciente", mas alertaram que é imprudente dizer com certeza que se chegou a uma cura para a Aids, pois mais testes são necessários.

A possível cura, porém, só veio depois de muitas complicações e tratamentos de saúde. O homem teve que passar por quimioterapia e receber células-tronco, mas o câncer voltou a aparecer, e mais um transplante de células-tronco foi necessário. Depois de recuperado do tratamento, Brown sofreu complicações neurológicas e teve amnésia e cegueira temporárias, segundo o jornal online The Daily Planet Dispatch. Ele teve de passar por terapias para reaprender a realizar atividades simples como falar e caminhar normalmente.

O estudo foi publicado na semana passada no periódico Blood por pesquisadores do hospital Charité, de Berlim.


Ou seja, não é exatamente um motivo para se comemorar porque oferece pouca perspectiva de se tornar um método amplamente difundido.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

confusões hiv x htlv


Há alguns meses decidi cancelar meu plano de saúde individual e ficar apenas com o da empresa. Para isso, consegui um arranjo interessante: minha médica (particular) vai continuar prescrevendo todos os exames pertinentes ao hiv numa guia do SUS e eu os farei num centro de referência. Os demais exames (hemogramas, colesteróis, açúcares, hepatites etc.) serão feitos pelo plano de saúde da empresa de modo que nunca chegará ao conhecimento deles (a galera do meu trabalho) o meu status. Achei o arranjo bem mais do que satisfatório.
Mas daí, minha médica me pediu para fazer exames gerais (nada de CD4 nem carga viral) num laboratório xyz. E assim o fiz.
Fui ao laboratório em jejum e, seguidos todos os procedimentos padrão, fui chamado para a picada. Antes,já com o braço esticado sobre o apoio, a técnica de vampirismo me pediu para assinar um termo. "Isso é para quê?", perguntei. "Isso é para o exame de hiv", ela respondeu. "HIV?!?!?!?! CA-RA-LHO!!!" não disse, mas pensei. Controladamente, murmurei: "Deve haver algum engano, não foi pedido hiv."
Retornei à recepção e pedi que fosse revisto o pedido. Logo, a atendente, coitada, disse que o pedido era de HTLV-1 e HTLV-2, mas sempre que ela joga no sistema, aparece hiv. Eu falei: "O erro pode até não ser seu, mas esse sistema está causando uma grande confusão e vocês estão fazendo exames de hiv sem necessidade e deixando de fazer os exames certos. E isso é um erro grave, a meu ver." A outra que veio ajudá-la a refazer os pedidos no sistema minimizou minha afirmação e logo me recolocaram frente à frente com a vampira para fazer os exames pedidos, desta vez sem hiv.
Vale esclarecer a confusão:
Em 1984, cerca de um ano após Montagnier (França) anunciar a descoberta do LAV (vírus associado à linfoadenopatia), Robert Gallo (EUA) publicou a descoberta e o isolamento do HTLV-3. Posteriormente se descobriu que o vírus de Gallo (HTLV-3) era geneticamente idêntico ao de Montagnier (LAV). (Wikipedia)

Ou seja, o hiv foi batizado 3 vezes:
em 1983, por Montagnier, como LAV;
em 1984, por Gallo, como HTLV-3;
em maio de 1986, o Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus finalmente determinou que ambos os nomes deveriam ser deixados de lado e resolveram o impasse com um novo nome, o HIV. (aqui, a história dos primeiros anos da aids e do hiv, em inglês).


"Agora, o que diabos é o HTLV?" pergunto eu (e você também deve estar se perguntando).

Lá vai:


O que é vírus HTLV?
Resposta: O vírus HTLV (sigla da língua inglesa que indica vírus que infecta células T humanas) é um retrovírus isolado em 1980 a partir de um paciente com um tipo raro de leucemia de células T. Apresenta dois tipos: O HTLV-I que está implicado em doença neurológica e leucemia, e o tipo 2 (HTLV-II) que está pouco evidenciado como causa de doença.

Todas as pessoas que estão infectadas pelo HTLV-I irão desenvolver alguma doença?
Resposta: Não. A minoria (menos de 1%) dos portadores assintomáticos poderão desenvolver alguma doença. No Japão, por exemplo, 14 em cada 1500 portadores assintomáticos poderão desenvolver a doença neurológica (dificuldade de andar). No caso de leucemia o risco é ainda menor, ou seja, um em cada 10.000 (0,01%) portadores poderá desenvolvê-la ao longo da vida.

Quais os modos de transmissão mais freqüentes do HTLV?
Resposta: O HTLV possui as mesmas rotas de transmissão que outros vírus como vírus da imunodeficiência humana (HIV) e vírus da hepatite C (HCV): pela relação sexual desprotegida com uma pessoa infectada; uso em comum de seringas e agulhas durante a droga-adição; da mãe infectada para a o recém-nascido (principalmente pelo aleitamento materno).

Quais as pessoas que deveriam ser testados para HTLV?
Resposta: Sabendo os modos de transmissão, podemos indicar os grupos que mais poderiam estar expostos a este vírus: pessoas que utilizam (ou usaram) drogas endovenosas onde trocavam seringas ou agulhas, pessoas portadoras de HIV e pessoas que receberam transfusão de sangue antes de 1993.

Como se faz o diagnóstico da infecção pelo HTLV-I?
Resposta: Somente por exame sorológico específico para pesquisa de anticorpos anti-HTLV-I/II no sangue. Após os exames de triagem, geralmente utilizando teste de ELISA, existe uma necessidade, em caso deste teste ser reativo (positivo) da realização do teste para confirmar e diferenciar anticorpos anti-HTLV-I e anti-HTLV-II.
(do site sobre htlv)



Entendeu a diferença?

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

campanha Fique Sabendo

Deu no site da Band.com.br

Mutirão de testes de HIV atende 200 mil paulistas

De acordo com um balanço da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, 196.113 testes de HIV foram feitos ao longo da Campanha Fique Sabendo 2010. Os exames gratuitos foram feitos ao longo do mês de novembro e superaram em 63% as expectativas iniciais, que indicavam que 120 mil pessoas seriam testadas.

“Esta edição do Fique Sabendo foi um sucesso e a conscientização quanto à importância de se fazer o teste deve continuar após a campanha”, afirma Maria Clara Gianna, coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids. “É de fundamental importância que as pessoas com vida sexual ativa façam o exame para descobrirem se são ou não portadoras do vírus HIV”, completa ela.

Apuração preliminar dos testes rápidos, que ficam prontos em 15 minutos, realizados em todo Estado aponta a ocorrência de 276 casos positivos de HIV. Os homens são maioria, 71%, com maior prevalência dentro da faixa etária dos 25 a 39 anos. As mulheres representam 29%, com maior prevalência entre os 40 e 49 anos.

Não sei o quanto esta amostra é representativa em relação ao resto da população, mas numa campanha em que quase 200 mil pessoas foram atendidas, os homens respondem por cerca de 0,1% e as mulheres, 0,05% dos resultados positivos. Esses dados são significativos e também se deve levar em conta as faixas etárias prevalecentes em cada grupo, que parecem confirmar a tendência da disseminação entre homens que fazem sexo com homens com menos de 40 anos e mulheres casadas ou com parceiro único.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

hiv e lei penal

Trata-se de um assunto sensível que precisa muito ser discutido amplamente. É óbvio que a transmissão intencional de qualquer vírus ou doença deve ser criminalizada, mas como fazê-lo sem pesar sobre os portadores um grande fardo de preconceito?

Do site da Band.


Seminário em MG trata da criminalização da transmissão do vírus HIV

O Grupo de Apoio e Prevenção à AIDS de Minas Gerais realiza nesta quinta-feira o Seminário “Criminalização da Transmissão do Vírus HIV e Direitos Humanos”. O evento inaugura a discussão sobre o assunto no Estado.

Foi estabelecida, no Código Penal, pena de três meses a um ano de prisão para quem transmitir o HIV através do ato sexual, tendo consciência que porta o vírus. Uma pesquisa realizada pela Univesidade de São Paulo entrevistou cerca de dois mil médicos. Os resultados mostram que 61% deles defendem a criminalização.

O tema ainda é polêmico. O Ministério da Saúde e algumas organizações não governamentais lutam contra a discriminação de portadores de HIV.

O seminário faz parte da Quinta Semana Nacional de Direitos Humanos e acontece das 9 horas da manhã às 6 da tarde no Auditório da CUT Minas.