terça-feira, 30 de novembro de 2010

Dia Mundial da Luta contra a Aids


Amanhã teremos mais um Dia da Luta e não poderia deixar passar em branco.
Há cerca de duas semanas completei 4 anos de diagnóstico (estimo ter 4 anos e meio de infecção). O tempo passa. E cada dia tem ao mesmo tempo um sabor de vitória e um sentimento de entardecer de domingo, quando o fim de semana de festa e diversão anuncia seu fim e uma certa melancolia toca o ânimo.
No entanto, a vida tem sido boa, produtiva, divertida e cheia de amizades e afetos verdadeiros. Coisas boas têm acontecido e a saúde vai bem, obrigado. Ser soropositivo não pesa tanto mais e levar uma vida normal me parece cada vez mais possível.

Este foi um ano de algumas conquistas pessoais e profissionais, o que exigiu um bocado de dedicação mas trouxe bons resultados. E como tudo sempre pode melhorar, vale manter o empenho em tornar cada dia uma experiência de muito gozo e expansão.

Algumas novidades no que respeita os avanços nos tratamentos contra o hiv e a aids me deixaram um bocado animado. Eis um resumo:

Researchers hopeful of finding HIV cure
Jan 11, 2010
CHENNAI: Researchers working towards a cure for HIV-AIDS have hit upon
possibilities with true potential to transform into viable solutions in the
future, said Robert T Schooley, head, division of infectious diseases,
University of California, San Diego.

Scientist believe they found a cure for AIDS/HIV
July 4th, 2010
The South Florida Community dispensing care, treatment and prevention
of the AIDS/HIV disease as well as patients got heartening news today as
scientists managed to create cells in mice immune to the virus. If these cells
can be developed in humans, the pathogen would be controllable.


Australian scientists unlock clue to HIV cure
September 21, 2010
AUSTRALIAN scientists have revealed the most complete picture yet
of the way HIV maintains its grip on the body, pointing to new ways to combat
it.
The Melbourne-based research has explained how the virus hides dormant
versions of itself in a reservoir of cells out of the reach of conventional
treatments but still able to "wake up" in the future, posing a major hurdle to
any total cure for HIV.


A Cure for HIV Could Be All in the 'Mix'
Aug. 19, 2010
ScienceDaily — Current HIV treatments do not eradicate HIV from host cells
but rather inhibit virus replication and delay the onset of AIDS. However, a new
research study published in BioMed Central's open access journal, AIDS Research
& Therapy describes an innovative approach to eliminate HIV in host by
targeted killing of only HIV infected cells. This approach if successful could
lead into an anti-HIV therapy that will eradicate the virus.

No que respeita o preconceito e a inclusão de soropositivos, ainda temos um bom caminho a percorrer, mas em meados deste ano foi publicado um dado animador:

Quase 60% dos portadores de HIV em SP têm relacionamento
estável

Quase 60% das pessoas que vivem com HIV possuem relacionamento afetivo estável - a maioria delas com parceiros que não têm o vírus da Aids. Cerca de 75% estão empregados e 68% moram com familiares ou amigos, ou seja, contam com apoio de pessoas próximas. Os dados são de um levantamento feito com 292 pacientes em tratamento na Casa da Aids, do Hospital da Clínicas de São Paulo.
Eliana Gutierrez, diretora da Casa da Aids, diz que "os infectados pelo vírus já se permitem pensar no futuro":
– Os resultados mostram que esses pacientes estão inseridos na sociedade do ponto de vista afetivo e econômico, seja porque dissimulam sua condição ou porque estão sendo aceitos.

Ou seja, com a consolidação dos tratamentos, as campanhas de esclarecimento e educação sobre hiv, aids e soropositividade, as pessoas estão cada vez mais conscientes do que realmente significa conviver com um soropositivo. Ainda assim, muitos preferem manter o sigilo sobre sua condição (meu caso) e evitam divulgá-la amplamente tanto no âmbito familiar como no social e profissional.
Imagine: eu trabalho numa empresa pequena, que nem um departamento de RH tem. Essa informação não ficaria restrita a um profissional específico sujeito ao sigilo de sua posição. Por que eu deveria divulgá-la? Com que finalidade isso poderia me ajudar? Não quero ser visto como algo diferente ou especial, prefiro se tratado como igual. O tratamento diferenciado (tanto positivo como negativo) pode ser muito estigmatizante e causar muito sofrimento.

2010 Também foi o ano em que o site Radar Hiv bombou. Trata-se de um fenômeno: um site de relacionamento para soropositivos, que podem se aproximar virtualmente e até mesmo se conhecer pessoalmente em encontros realizados em várias cidades do país. Isso permite a troca de experiências e a chance de encontrar parceiros em situação semelhante sem ter que passar pelo perrengue de informar a uma paquera de seu status. De quebra, o site traz muitas informações relevantes para os frequentadores inscritos.

O que este ano trouxe de muito negativo foi a confirmação de que os homens que fazem sexo com homens (HSH) ainda são o grupo que expressa o maior número de novos casos. Ou seja, por inúmeras razões, dentre elas o surgimento das terapias antirretrovirais, os HSH estão se expondo muito aos riscos do sexo desprotegido. E as estatísticas apenas confirmam este fato, reforçando o preconceito e a tendência em isolar um grupo nesta pandemia. Enquanto isso, os movimentos pelos direitos de gays lésbicas e simpatizantes ainda lutam pelo direito de doar sangue. Justo. Mas este assunto é demasiado complexo e longe de mim ter a pretensão de resolver esta equação. Para isso, há especialistas no assunto (veja esta reportagem sobre um dos maiores estudiosos do hiv e aids sobre este tema).


Enquanto a cura não vem, cabe a cada um de nós contribuir para o esclarecimento e a educação sobre este assunto:
- a melhor maneira de se proteger da aids é prevenindo-se contra o
hiv;

- o hiv se transmite pelo contato com o sangue, esperma, fluido
vaginal ou leite materno de pessoa portadora do vírus;

- a prevenção requer o uso de preservativos do início ao fim da
relação sexual, bem como não compartilhar seringas;

- ser portador do hiv não é uma maldição, um castigo divino nem uma
sentença de morte;

- o contato social não oferece riscos de contágio;
- o contato íntimo pode ser saudável e não oferece riscos, desde
que se tomem os devidos cuidados;

- apertar a mão, beijar e abraçar um soropositivo não oferecem
riscos de contágio;

- combater a aids não é a mesma coisa que segregar, hostilizar ou
eliminar o portador do hiv;

- os novos tratamentos garantem qualidade de vida ao portador, mas
a melhor forma de se evitar a aids é evitando o contágio pelo
hiv.


Que cada Dia Mundial da Luta contra a Aids seja um passo largo na direção da conscientização e na evolução de nossa luta contra a doença e o preconceito.

domingo, 7 de novembro de 2010

Mais novidades...

Em meio a estatísticas alarmantes e poucas ações afirmativas no combate ao preconceito, há boas notícias como esta a seguir:

4 November 2010

Clue to how some 'control' their HIV without medication


An HIV-infected immune cell


Tiny changes to an "alarm" protein which responds to infections may explain why some with HIV can control their condition without drugs.

Around one in 300 people with HIV are "controllers", and scientists want to replicate how their bodies behave.

Writing in Science, US researchers say differences in five amino acids in a protein called HLA-B are key.

But a UK expert said there was still a "long way" to go before a vaccine or a new drug for HIV could be developed.

HIV "controllers" were first identified almost 20 years ago. They are able to suppress viral replication with their immune system, keeping viral load at extremely low levels, without using anti-retroviral drugs.

It was already known that certain genes involved with the HLA system were important for HIV control. But scientists had not identified which genes were involved or how they acted.

Drag and drop

The researchers carried out a genome-wide association study of the genetic make-up of almost 1,000 controllers and 2,600 people with progressive HIV.

Around 300 points were found to be associated with immune control of HIV, all in regions of chromosome six that code for HLA proteins.

Knowing how an effective immune response against HIV is generated is an important step toward replicating that response with a vaccine”  
Dr Bruce Walker Massachusetts General Hospital

Scientists were then able to pinpoint specific amino acids and identified the five in the HLA-B protein as playing the key role.

HLA-B is part of the process by which the immune system recognises and destroys virus-infected cells.

Part of the protein called a binding pocket "drags and drops" peptides from inside the virus onto the cell membrane.

These then mark out the cell for destruction by CD8 "killer" T cells in the immune system.

All five of the amino acids identified by researchers are in the binding pocket.

Scientists from Massachusetts General Hospital, Massachusetts Institute of Technology and Harvard University carried out the work.

Bruce Walker of the Ragon Institute at Massachusetts General Hospital, one of the lead authors of the paper, said: "We found that, of the 3bn nucleotides in the human genome, just a handful make the difference between those who can stay healthy in spite of HIV infection and those who, without treatment, will develop Aids.

"Knowing how an effective immune response against HIV is generated is an important step toward replicating that response with a vaccine.

"We have a long way to go before translating this into a treatment for infected patients and a vaccine to prevent infection, but we are an important step closer."

Gus Cairns, editor of HIV Treatment Update of the UK's National Aids Manual, said: "As the researchers say, this research opens the door to the development of a vaccine that could encourage the body to mimic the most effective kind of immune response, or to drugs that could interfere with HIV's ability to infect cells and derange the immune system.

"Nonetheless there is still a lot we don't know about why some genetic variants provide a much less welcoming environment for HIV than others and, although we are becoming clearer about what kinds of specific immune response are effective against HIV, we are a long way from being able to make them happen, or even knowing what we must do to make them happen."

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A vez de cada um agir

Todo dia é dia de conscientizar-se.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Esse realmente parece promissor

Israeli researchers develop promising new HIV treatment

Israeli researchers develop promising new HIV treatment

JERUSALEM (AFP) - – Israeli researchers have developed a new treatment for HIV that kills human cells infected with the virus and could lead to a breakthrough in treating AIDS, the Haaretz newspaper said on Friday.

Whereas current treatments focus on inhibiting the replication of the HIV virus, the new treatment destroys infected cells without damaging healthy ones, the newspaper said.

The process makes use of peptides, or short protein segments, which vastly increase the replications of the virus once it enters a cell, causing the cell's self-destruction, Haaretz said, citing one of the researchers.

"The usual medications kill the virus that has entered the body during infection and the (peptide) treatment allows cells infected with the genetic load of the virus to be killed," Abraham Loyter, who carried out the study, was quoted as saying.

The study was published in the peer-reviewed British journal "AIDS Research and Therapy" in August and was co-authored by Loyter, Aviad Levin, Zvi Hayouka, and Assaf Friedler.

The researchers could not be reached on Friday, a day off in Israel.

They have registered an Israeli patent but the treatment must still be tested on animals and humans, Haaretz said.

Around 33.4 million people suffer from the human immunodeficiency virus (HIV) which causes AIDS. The vast majority, more than 30 million, live in low and middle-income countries, according to the World Health Organisation.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

1o. de dezembro

Amanhã é o Dia Internacional da Luta contra a Aids mas foi ontem que ganhei um presente lindo do meu namorado: estávamos na estrada para visitar uns amigos, eu dirigia e C. abriu uma revista para folhear chamando, em seguida, minha atenção para o seguinte anúncio:

"Um deles tem hiv. O outro sabe."

Com muita naturalidade ele expressou sua aprovação. E eu fiquei muito emocionado, pensando como é uma bênção estar com uma criatura tão especial.

Num posto anterior (clique aqui), eu já havia falado do tema da campanha deste ano: "Viver com aids é possível. Com o preconceito não."  Agora, vendo com calma o site da campanha do Ministério da Saúde, eu me emocionei de novo. É realmente uma campanha de impacto, muito bonita e realista. Ponto para eles.

Neste vídeo, Vik Muniz colabora com um projeto incrível:



Que cada dia 1o. de dezembro traga mais e mais reforços nesta luta e que seja, cada vez menos, uma data para se lamentar as coisas ruins acontecem às pessoas que vivem com hiv e aids e seus familiares e pessoas próximas. 

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Mãe loura da soul music

Sou daquele tipo de pessoa que pode gostar ou detestar um artista, seja cantor ator ou o que for, de acordo com a personalidade, o discurso e a postura dele. É assim que venho cultivando alguns desafetos nos últimos anos, pois está difícil admirar alguém no palco (ou na tela ou no cd) e fora dela. Caetano Veloso, coitado, é um desses que eu adoraria que só abrisse a boca para cantar e se calasse no resto do tempo (e parasse de cair tanto, nunca vi bicha maluca para viver caindo do e no palco). Seu discurso acaba me influenciando negativamente e não consigo mais ver o lado bom de sua arte. Uma pena. (Suzana Vieira, Regina Duarte e muitos outros estão no mesmo time.)

Annie Lennox é o caso oposto. Eu nem sei mais se continuo gostando de sua música por ser realmente boa ou porque tenho imensa boa vontade quando ouço sua voz. Admiro a artista e a pessoa, uma loura inteligente sempre com um discurso coerente e que faz soul music com grande competência, sem se vender (totalmente) para o mercado.



Ontem, 11 de novembro de 2009, Annie Lennox foi eleita MULHER DA PAZ 2009 por seu trabalho no combate à aids na África do Sul. Sua ong SING tem sido responsável por arrecadar e aplicar consideráveis somas de dinheiro na testagem e no tratamento de soropositivos, na educação sobre hiv e aids e na prevenção de novos contágios do vírus.

Annie foi premiada no 10th World Summit of Nobel Peace Laureates (a tradução horrorosa seria "10a. cúpula das pessoas contempladas com o Nobel da paz") e recebeu seu prêmio como o reconhecimento de seu trabalho e um estímulo a continuar agindo por um mundo melhor.  Muito mais nobre do que sentar sobre seus louros e criticar o establishment de uma cobertura de frente pro mar, Annie mostra que é possível usar a fama e a visibilidade (conquistadas com seu talento, e não num reality show...) a favor de causas mais nobres do que contemplar o próprio umbigo.

Que seja parte do marketing pessoal dela e uma forma de reduzir a carga tributária sobre sua fortuna pessoal, isso não faz a menor diferença enquanto sua dedicação à causa sul-africana estiver beneficiando milhares de pessoas. 


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Antes tarde do que nunca

Um grande dia para o mundo -- graças a um grande homem: 


OBAMA ENCERRA PROIBIÇÃO DE ENTRADA

DE SOROPOSITIVOS NOS EUA.


Nunca pensei que essa notícia fosse me tocar tanto, mas logo entendi por quê: saber que a maior nação do mundo (ok, há controvérsias quanto a isso...) pôs um fim à proibição da entrada de turistas e imigrantes soropositivos aumenta a esperança de que o mundo está mais um passo em direção ao fim do preconceito (=ignorância) sobre o que é o hiv, seus riscos, formas de contágio e na direção certa para conter a pandemia de hiv/aids.

Nas palavras do próprio Barack Obama:

“If we want to be the global leader in combating HIV/AIDS, we need to act like it."

“It has been nearly three decades since this virus first became known,” Obama said. “But for years, we refused to recognize it for what it was.  It was coined a ‘gay disease.’  Those who had it were viewed with suspicion.  There was a sense among some that people afflicted by AIDS somehow deserved their fate and that it was acceptable for our nation to look the other way.”

De quebra, ele renovou a lei que prevê tratamento para soropositivos de baixa renda (Ryan White HIV/AIDS Treatment Extension Act), e disse:

"[...] What we can do is to take more action and educate more people.  What we can do is keep fighting each and every day until we eliminate this disease from the face of the Earth.”


Com relação a imigrantes soropositivos, Rachel B. Tiven, diretora executiva da Immigration Equality, diz tudo:

"People living with HIV will no longer be pointlessly barred from this country.... Every day, Immigration Equality hears from individuals and families who have been separated because of the ban, with no benefit to the public health. Now, those families can be reunited, and the United States can put its mouth where its money is: ending the stigma that perpetuates HIV transmission, supporting science, and welcoming those who seek to build a life in this country."

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

“Viver com aids é possível. Com o preconceito, não.”

O tema do dia Mundial de Luta contra a Aids (1° de dezembro) de 2009 será este. 

E o beijo será o grande elo para conscientizar a população das formas de contágio e quebrar o preconceito contra os soropositivos, lembrando ao público em geral que um soropositivo tem o direito de se relacionar afetivamente.

Do site aids.gov.br:

 O beijo, no caso de um dos parceiros ter feridas ou fissuras na boca, é uma via de contágio?

 Segundo estudos, não há evidências de transmissão do HIV pelo beijo. Para que houvesse possibilidade de transmissão, seria necessário que houvesse uma lesão grave de gengiva e sangramento na boca. O HIV pode ser encontrado na saliva, porém as substâncias encontradas na saliva são capazes de neutralizá-lo. Práticas como beijar na boca, fumar o mesmo cigarro, tomar água no mesmo copo, não oferecem riscos.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Campanha em animação - a prevenção contra hiv/aids

Esta campanha está ótima por ser divertida e um tanto realista, mostrando a busca do amor e os "acidentes" de percurso que por si só já podem ser um tanto traumatizantes, a proteção contra o hiv previne um bocado da dor e do sofrimento de quem deseja simplesmente amar e ser amado. A mensagem deste vídeo é "proteja-se e viva o suficiente para encontrar o verdadeiro amor".  

 


A prevenção como um hábito que deve ser adotado desde sempre e para sempre.

Vale lembrar: contra o hiv e a aids não há vacina nem cura, a prevenção é ainda a única opção. Usar preservativos SEMPRE e evitar comportamentos de risco são fundamentais. 

Este vídeo é uma campanha da AIDES, veja aqui o site deles.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Diretamente da novela das 8

Dois depoimentos interessantes sobre viver a vida com hiv: clique aqui!



quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Cidadão Betinho

Esta frase resume a vida e a obra de Herbert de Souza, o Betinho. Encontrei por acaso um hotsite do Ministério da Saúde dedicado a este homem, uma das vítimas da aids que mais se expôs na mídia brasileira por sua luta contra a doença e o preconceito, fundador da Abia, do Ibase (foi um dos precursores da internet no Brasil!) e coordenador da Ação pela Cidadania contra a Fome e a Miséria, tendo se destacado como grande representante dos direitos do cidadão e com atuação inclusive na defesa do meio-ambiente.

No hotsite do Ministério da Saúde, é possível conhecer melhor o pai, a pessoa, o intelectual e o incansável batalhador pela dignidade humana em todos os contextos. Vale a pena dar uma olhada.

Seus textos são muito lúcidos e inspiradores, mostrando como a revolta e a desesperança não contribuem para nenhum resultado positivo.

Destaco aqui o último parágrafo de seu texto "Direitos Humanos e Aids":

Mas gostaria de terminar, dizendo o seguinte: creio que podemos transformar a tragédia da AIDS, da enfermidade e da doença num desafio, numa oportunidade, numa possibilidade de recuperar na nossa sociedade, em nós mesmos, em cada um de nós e em todos nós, o sentido da vida e da dignidade. E, com esse sentido da vida e da dignidade, seremos capazes de lutar pela construção de uma sociedade democrática, de uma sociedade justa e fraterna. 

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Muito prazer, sexo sem DST

O Ministério da Saúde lançou hoje a campanha "Muito prazer, sexo sem DST":



Depois de um levantamento que revelou que 10,3 milhões de brasileiros já tiveram algum sinal ou sintoma de DST, esta campanha visa conscientizar sobre algumas questões importantes relacionadas ao problema:

- como reconhecer os sintomas

- a necessidade de procurar tratamento

- o perigo da automedicação

- a importância de alertar o(s) parceiro(s) ou parceira(s)

- os problemas causados pelas DSTs aumentam em 18 vezes o risco de infecção pelo hiv

- os fatores de risco: homens são mais propensos a terem algum sinal ou sintoma de DST, homens que fazem sexo com outros homens têm o dobro de chance de terem DSTs e pessoas com mais de 10 parceiros na vida têm chance 65% maior de ter um antecedente relacionado a DST

Bacana mesmo é o sistema de alerta anônimo que o site disponibiliza para as pessoas que quiserem avisar a seus parceiros ou parceiras que descobriram ter DST sem se expor. O texto diz algo assim: "Oi! Não sei se essa é a melhor forma de dizer, mas descobri que tenho uma DST. Fui numa Unidade de Saúde, procurei um médico e já estou me tratando. Acho que você deveria fazer o mesmo." Simples assim. Pode parecer loucura, mas é muito difícil fazer isto e este sistema anônimo pode ajudar muito a reduzir o número de pessoas portadoras de DSTs que não se tratam.

Encontrar uma verruga ou uma lesão na região genital causa um incômodo muito grande, uma sensação de estar impuro e até mesmo uma certa vergonha. Já é difícil lidar com isso sozinho trancado no banheiro, imagine ter que ir a um serviço de saúde. Agora, imagine ter que contar isso para um parceiro! É muito difícil.

Quando eu me descobri hiv+, fiz a minha parte sem criar muito alarde: informei à pessoa que possivelmente me infectou que eu tive um probleminha de saúde na região genital depois de nossa relação e que ela deveria procurar um médico. Sem mentira nem escândalo, não entrei em detalhes, mas dei meu recado pelo messenger. (Os demais parceiros, eu avisei pelo telefone mesmo.) Nem todo mundo tem essa facilidade ou coragem, por isso um cartão virtual anônimo pode ser uma mão na roda. 

Quem achar que tem ou teve algum sintoma de DST deve procurar um profissional de saúde ou se dirigir a um dos serviços especializados em DST do SUS: veja aqui os endereços.

Então fica combinado assim: fique ligado no seu corpo; qualquer suspeita de DST, procure um serviço especializado; faça o tratamento; avise ao seu parceiro ou sua parceira para fazer o mesmo.

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UPDATE: Problemas técnicos tiraram o site do ar

Parece que o site foi um sucesso tão grande que tiveram que tirá-lo do ar para manutenção. Espero que não esteja sendo usado para brincadeiras de (muito) mau gosto, mas enfim, vamos torcer para que volte logo.

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UPDATE 2: hoje (2a. f.  24-ago-09) o site amanheceu funcionando normalmente, espero que continue assim!

http://www.aids.gov.br/muitoprazer/