segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Crossroads

Depois de conhecer e sair duas vezes com um cara muito especial, me vejo no ponto crítico que muitos hiv+ devem enfrentar: o momento certo de dizer meu status sorológico. Como ainda não tivemos relações, estamos criando a intimidade aos poucos e está tudo fluindo com muita naturalidade. Conversamos muito, vamos explorando um ao outro com cuidado e ternura, experimentando toques, abordando temas provocantes (mas pouco polêmicos) e buscando a via de relacionamento que vá além do sexo e do prazer imediato. Estamos claramente com o desejo e a intenção de formar um vínculo mais sério do que se poderia supor entre duas pessoas que se conheceram na sala de espera de um aeroporto.
Ele confessou que seu relacionamento mais recente foi com um hiv+ e que saiu desta relação com um pouco de depressão, muito envolvido na temática da doença e da morte. Falou isso sem peso nem acusações e ainda ressaltou que a relação deste ex-namorado com seu próprio status sorológico era muito complicado, o que para ele era absolutamente compreensível, ainda que pesado. Soma-se a isso mais dois ou três casos de pessoas próximas na mesma situação, o que detonou nele uma certa paranóia com relação à morte e à finitude. Não perguntei como ou por que o relacionamento terminou e ainda me segurei um pouco mais antes de falar de meu próprio status sorológico.
Hoje deverá ser o dia. Não sei se consigo ir um pouco mais além nesta dança que iniciamos sem que ele saiba com o que está lidando. É a primeira vez que passo por isso, nunca tive que confessar a alguém com quem estivesse iniciando um envolvimento para além do sexo o meu status sorológico -- e sempre tive pânico de ter que enfrentar essa situação. Mas devo confessar que está sendo tudo tão natural e gostoso que mesmo que ele não consiga lidar com isso e esta questão se torne um empecilho à relação que nem começamos ainda, já terá sido de grande valia. É sempre bom conhecer pessoas que valem a pena num mundo em que testemunhamos com frequência a sordidez humana nas relações -- sejam elas amorosas, familiares ou profissionais.
Sinto-me como um menino pré-adolescente experimentando um de seus primeiros amores, com timidez e cuidado me aproximando do outro e sem saber o momento certo de ceder totalmente ao que me chama.

Aguarde as cenas dos próximos capítulos.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

reality shock

Recebi uma proposta para trabalhar no exterior. Não seria transferido pela minha empresa, seria uma contratação local com todos os procedimentos imigratórios de praxe.

Depois do susto inicial, o susto da perspectiva de ir para tão longe. Em seguida, a empolgação: uma experiência incrível num país totalmente diferente de tudo que eu já vi, um mega plus no meu currículo, uma possibilidade de abrir novas portas internacionalmente.

Daí, o choque: o certificado de saúde. Os sites de informação sobre o assunto afirmam que o hiv é motivo para recusa de visto e deportação.

Choque de realidade, essa que está comigo, a minha volta e dentro de mim. Esta realidade que afasta pessoas, me separa dos demais e me coloca na classe inominada dos excluídos das possibilidades que as pessoas podem ter. E do poder de escolha de qual caminho seguir.

Uma regra recente do governo daquele país ainda afirma que o hiv não pode ser mais motivo de recusa de visto de trabalho e residência, mas a teoria não necessariamente caminha de mãos dadas com a prática. E não sou eu quem vai atestar isso pessoalmente e correr o risco de sofrer na pele a recusa de um visto e encarar a possibilidade de uma deportação.

Então ficamos assim; "obrigado pelo convite, mas não posso aceitar."

E a vida continua.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Love is positive

Uma matéria interessante sobre casais sorodiscordantes e preconceito: 'Positive' love runs into negative tide (Jamaica Gleaner News)

Dicas interessantes para lidar com a situação:
  • Get to know the person who you are interested in dating. If you are considering dating someone living with HIV, you should take the time to really get to know that person and find out about his/her interests, likes, dislikes and goals. It is important to build a strong friendship with that person before rushing into a serious relationship with him. Also, make sure that you do not engage in any type of sexual activities at the beginning of the relationship.
  • Take time out of your schedule to learn about HIV. You can find information on the Internet, visit a library for books and materials, or stop by a local health centre to pick up brochures and handouts about HIV. This can help you better understand the virus before developing a close or intimate relationship with someone who has HIV.
  • Talk with your potential partner about his/her HIV status. Find out more about his/her illness, such as how often he/she visits the doctor, the medication he/she is taking, side effects experienced from the medicine, current viral load and white blood cell count. This can give you some insight on the severity of your partner's illness, daily schedule and what might be expected from you, as a partner.
  • Discuss your future relationship and be honest about your concerns. If you decide to date someone with HIV, it is important to discuss your feelings and concerns with that person. Determine the type of relationship you want to have (such as casual dating, an intimate relationship or something long-term with the possibility of marriage) and make sure the other person wants the same thing.
  • Use protection when engaging in sexual activities. HIV is transmitted through infected blood, semen and vaginal secretions, so it is important to protect yourself if you do participate in any type of sexual activity with an infected person (such as vaginal, anal or oral sex). Be sure to use a latex condom each time you have sex with someone who has HIV.
  • Know your HIV status. If you are involved with someone who has HIV, you should get tested for the virus at least once every six months.
  • Provide emotional support to your partner. Let your partner know that you are there for him/her and encourage your partner to open up and talk to you. Also, be sure to accompany your partner on doctor visits whenever you can. This shows your partner that you really do care and that you are concerned about his/her health.

World Aids Day


Um bom tempo sem postar nada aqui, mas tenho tentado organizar a vida dentro e fora. Muitas coisas aconteceram ao longo deste período, como a incrível notícia de cura de um norte-americano que recebeu um transplante de medula de um doador Delta 32, além de um novo tratamento que está sendo desenolvido utilizando «células assassinas»... o nome pirotécnico, quase hollywoodiano, revela o caráter belicoso dessa estratégia.


De resto, novas e velhas discussões sobre perspectivas de controle da pandemia no mundo todo e a grande importância de se fazer testes de hiv em massa, o impacto das ações contra o hiv e a aids no mundo e principalmente na África e a real importância das mesmas em comparação com outras questões tais como Malária, diarréia infantil etc., o aumento de infecções entre pessoas acima dos 50 anos, o aumento da sobrevida dos hiv+ na região Sudeste, nova campanha do Ministério da Saúde para o público na casa dos «enta», enfim, um tema que vem se mantendo em destaque nas manchetes do mundo todo.

Hoje, como o 20º World Aids Day, não poderia deixar de expressar a dor e as esperanças do que significa conviver com o hiv e os desafios de superar os medos e estigmas intrínsecos a esta condição. Há algumas semanas venho tentando autorização do meu plano de saúde para fazer um mero exame de contagem de CD4 sem muito sucesso, sempre enfrentando a burocracia idiota dos laboratórios e do próprio convênio que expõem os usuários a constrangimentos desnecessários. Mas também sei que meu drama não se compara em nada aos famintos e desamparados do mundo inteiro que sofrem com a miséria material e humana em todos os níveis, enfrentando a violência de uma realidade que não encontra limites para infligir tanta dor e sofrimento a milhões de pessoas. Se estou brigando com meu plano de saúde, eu tenho ao menos pelo que brigar e total condição de enfrentar este desafio, o que já é um privilégio.

Portanto, neste dia em que o mundo inteiro se mobiliza para refletir e discutir os caminhos a serem tomados no combate ao hiv e à discriminação dos hiv+, desejo que este seja um problema cada vez menor na cabeça, no corpo e na vida das pessoas -- e que a ciência consiga desenvolver terapias e recursos de prevenção que minimizem ainda mais os riscos e o sofrimento dos que convivem com este problema, direta ou indiretamente.


Deixo aqui um abraço especial ao meu amigo Taner Waterfall do blog EU e o HIV:Vivendo um Dia Após o Outro... que eu leio assiduamente e por quem cultivo grande carinho e admiração. A luta é minha, dele e de todos os que convivem com o hiv e de todos os que se importam.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Estigmas da soropositividade

Há algum tempo venho pensando sobre dois assuntos normalmente relacionados à homossexualidade e ao fato de ser soropositivo: promiscuidade e drogas.

As duas infectologistas com quem me tratei até hoje me surpreenderam com as reações que tiveram ao saberem de como me infectei e sobre meu uso de drogas.

Na anamnese, quando o assunto é sexo protegido e como eu me infectei, as duas se espantaram ao saberem que eu sempre me cuidei e a infecção não se deu num momento da minha vida em que eu me joguei em aventuras sexuais intensas e de alto risco. E as duas duvidaram quando eu disse que não sou um usuário habitual de drogas ilícitas -- com a exceção da maconha que eu adoro e se fosse fácil comprar, eu fumaria todos os dias com certeza. Mas como não tenho acesso fácil, acabo fumando muito eventualmente.

Em primeiro lugar: a fama de promíscuos que todos nós, homens gays, temos é condizente com a realidade? De certa forma, sim. O homem naturalmente pode se aventurar de maneira mais intensa e indiscriminada em relações sexuais frequentes com parceiras (os) diferentes. E falo isso porque experimentei e testemunhei a facilidade com que homens gays ou heterossexuais podem buscar sexo com uma diversidade de parceiros e/ou parceiras num curto espaço de tempo. Casas de massagem no centro do Rio de Janeiro oferecem preços especiais para duas "massagens" com duas "massagistas" diferentes. Nas saunas gays e clubes de sexo, poucos são os que se contentam com um parceiro apenas, experimentando o sexo rápido e fácil com diversos parceiros e quase sempre evitando repetir a dose com o mesmo carinha... a não ser que tenha sido algo realmente excepcional. Mas a quantidade e diversidade costumam ser mais importantes do que a qualidade.
Obviamente, generalizar é sempre um equívoco, eu já conheci homens gays que nunca colocaram os pés numa sauna ou num quarto escuro e não se contentam com sexo casual, buscam antes um relacionamento ou envolvimento maior para o sexo acontecer. Mas como regra, os homens são mais promíscuos sim e as saunas gays são um fenômeno que apenas confirma essa característica da sexualidade masculina -- e facilita sua manifestação.

Mas é curioso como mesmo entre os soropositivos, parece que há uma necessidade de se isentar de qualquer julgamento ou culpa afirmando que a infecção se deu num relacionamento ou num acidente eventual. Vi isso em sites de relacionamento e em diversos relatos e blogs de soropositivos a respeito da soroconversão.

Uma vez li sobre uma artista, não me lembro agora seu nome nem detalhes, mas ela se infectou através de uma transfusão de sangue ou um parceiro fixo e se destacou por falar publicamente de seu status, mas gostava de deixar bem claro que sua infecção se deu "acidentalmente" e que ela não era como os "outros", aqueles que praticavam sexo desprotegido com inúmeros parceiros ou que usavam drogas injetáveis.

De certa forma, também sou um exemplo disso, nem tanto para me diferenciar dos "outros", os promíscuos que fazem sexo indiscriminado sem proteção ou os drogaditos, mas para chamar atenção para o fato de que qualquer um pode se infectar, independente da frequência e da quantidade de vezes que se expõe. E a maior prova disso é que, depois de eu me infectar numa exposição rápida e única, um evento isolado num momento da minha vida em que eu me encontrava um tanto sossegado, eu retomei um namoro e meu namorado (agora ex) não se contaminou, mesmo depois de muitas relações sem proteção comigo. Com certeza ele se expôs mais vezes ao risco de se infectar do que eu, e não foi infectado -- graças ao bom Deus que o preservou são e salvo e me livrou dessa, pois eu jamais me perdoaria...


Outro aspecto que não entendo é a relação estigmatizada dos gays com as drogas. Eu não entendo por quê, nem sei se é um dado estatisticamente comprovável, mas parece que se espera que os gays usem droga (s) ilícita (s) -- maconha, ecstasy, cocaína... No MixBrasil, por exemplo, notícias sobre legalização da maconha são colocadas lado a lado com outros assuntos de interesse do público gay.
Mais uma vez me pergunto: procede essa relação entre gays e drogas? Mais de 80 por centos dos caras com quem me relacionei não usavam nenhum tipo de droga, nem as lícitas, e os que usavam, se limitavam a um baseadinho eventual, quando rolasse. Mas as raves e os clubes de música eletrônica parecem estar tomados de bibas enlouquecidas cheias de bala na cabeça, não é?

Talvez por ser um público **em tese** mais liberal com relação a alguns assuntos (pois não creio que os gays sejam mais liberais e menos preconceituosos, pelo contrário), este tema seja tratado com mais liberdade. Sei lá, mas eu tive de convencer às duas médicas que não sou um usuário habitual de drogas ilícitas. Assumia meu tabagismo (parei há 3 semanas!!!) e bebia (ainda bebo!!!), mas convencê-las de que NÃO USO TÓCHICOS era um custo...

Não posso condená-las por esse preconceito, os estigmas são colocados pela sociedade bla bla bla, mas por outro lado também somos responsáveis de alguma forma. No início da era do hiv, os grupos em que o vírus se disseminou mais rapidamente foram os gays e os viciados em drogas injetáveis. Com o tempo, este quadro mudou, mas novamente as estatísticas mostram que os gays e os usuários de drogas apresentam um crescimento vertiginoso de novas infecções. E o nível de tabagismo e consumo de álcool entre gays e lésbicas é consideravelmente alto, indicam várias pesquisas em várias partes do mundo.

Por isto, sinto que alguns soropositivos lutam contra não apenas o estigma da doença, mas também os demais estigmas que são vinculados ao seu status, como se o fato de ser promíscuo e drogado colocasse uma carga maior sobre seus ombros e a doença fosse, de certa forma, um castigo, um ônus a ser pago por suas escolhas **indevidas**.

domingo, 28 de setembro de 2008

People are still having unprotected sex


Acabo de assistir a um documentário da BBC, "I Love Being HIV Positive", que investiga o fenõmeno dos bugchasers, indivíduos hiv- que procuram caras hiv+ para se infectarem com o vírus. Eu já havia lido a respeito, já havia visto algo no documentário do Stephen Fry, "HIV and Me", mas este documentário foi um soco no estômago.

Ricky é o camarada que fez este documentário. Ele é hiv+ e se infectou num relacionamento pensando que seu namorado era negativo. Engano seu, hoje já convive com o vírus há uns 12 anos, vive um relacionamento estável com um hiv- e resolveu investigar o fenômeno das pessoas que desejam se infectar com o hiv. O principal meio que ele encontrou foi através de um site de encontros por onde foi contactado por diversos ditos bugchasers.

Por ter um caráter educativo, este documentário acaba pegando pesado na situação das pessoas que vivem com o vírus: sintomas, efeitos colaterais dos arv's etc. Por isso apenas o documentário é uma porrada. Mas ele vai mais longe, chega a conversar com pessoas que procuram se infectar e até mesmo com um cara que se correu todos os riscos até contrair o hiv.

O bottom line desse documentário não permite chegar a uma conclusão clara sobre esse fenômeno, se essas pessoas levam esse propósito a sério ou se serve apenas de inspiração para fantasias sexuais extremas que não são colocadas em prática. Uma das pessoas com quem ele conversou, Brian, contou uma história muito inconsistente e chegou a dizer que acabara de receber um exame hiv+, mas nada parecia ser verdade. Em todo caso, suas justificativas para querer se infectar eram muito furadas -- ou o cara é um mentiroso de marca maior ou é mesmo um doido que não tem noção do que está fazendo.

Outro entrevistado havia sido criado numa comunidade religiosa na Austrália que pregava o fim do mundo. Ele resolveu sair da comunidade e assumir sua homossexualidade, praticando sexo inseguro e tem um discurso muito conformista em relação à morte, como se ele tivesse saído da comunidade mas esta não parece ter saído de dentro dele... ele chega a arregalar os olhos e alterar o tom de voz quando fala da morte e da doença, revelando um fanatismo inconsequente.

Numa conversa com um psicoterapeuta que passou a pesquisar esse fenômeno depois de ter tido um namorado que era um bugchaser, alguns pontos foram levantados que merecem um pouco de reflexão: toda relação sexual é de certo modo uma experiência de morte (o blackout depois do orgasmo é chamado "la petite morte"); situações de risco podem funcionar como afrodisíaco para certas pessoas, lidar com as possibilidades diversas de cada experiência, mesmo as mais trágicas; vários são os elementos que podem compor uma fantasia sexual, a morte pode ser uma delas.

Apesar de ficar meio nebulosa a realidade desses indivíduos, aparecem umas coisas que eu realmente quase passei mal só de ver: um camarada escreveu para ele num chat ou num email que queria ser reinfectado por outras cepas do hiv para ter mais chance de desenvolver a doença em sua plenitude, outro dizia estar há 5 anos tentando se infectar sem sucesso e que pensava até em injetar sangue contaminado e outras pérolas do gênero.

Ricky contesta as atuais campanhas de prevenção veiculadas no Reino Unido, como uma em que um barebacker pede para o cara ejacular fora, como se isso reduzisse o risco de contaminação. E questiona qual o melhor meio para tentar conscientizar as pessoas que aparentemente decidiram se infectar com o hiv.

Posso dizer por experiência própria que não é preciso nem mesmo uma relação sexual levada a cabo para ocorrer a infecção: eu mesmo me infectei numa relação que não aconteceu, ou seja, eu nem cheguei a penetrar o cara totalmente, apenas brincamos e eu apareci com sintomas de gonorréia ou micoplasma dois dias depois. Foi falta de cuidado da minha parte, não nego, mas também foi uma puta de uma fatalidade, porque com certeza já havia feito coisas piores sem consequências tão graves e conheço pessoas que se expõem muito mais do que eu jamais me expus e nunca pegaram nada. Apesar de ainda não ter desenvolvido nenhum sintoma e ter meus exames todos normais, não me animo nada com as perspectivas de evolução da doença nem com os efeitos dos arv's que possivelmente tomarei algum dia. Mas tão ruim quanto a própria doença e seu tratamento é o medo do preconceito e da rejeição -- isso sim é um pesadelo constante.
Recomendo este documentário a todos que queiram conhecer mais sobre o assunto, mas aviso logo que não é um docuimentário fácil de se ver.
Enquanto assistia ao doc, me lembrei de um vídeo clip que passava na MTV há uns bons anos, "People are still having sex" do La Tour:



Have you noticed
That people are still having sex?
All the denouncement
Had absolutely no effect.
Parents and counselors
Constantly scorn
them,
But people are still having sex
And nothing seems to stop
them.

Do you realize
That people are still having sex?
They've
been
told no to,
Perhaps they are perplexed.
When you see them
holding hands
They are making future plans
To engage in the activity;
Do you
understand me?

People are still having sex.
Lust
keeps on lurking.
Nothing makes them stop;
This AIDS thing's not
working.

People
are still having sex;
It's been going on for
quite a while.
Perhaps it
is quite fashionable.
It hasn't gone out
of style.

It's a fact that
people are still having sex;
It's
rather obvious--
It's just what one
expects.
The evidence is all
around
That everyone in everytown
Has
had it at one time or another
in their life.

At this very moment,
People are still having sex.
In a downtown condo
Or a street in the
projects.
Even though you
can't see them
Or hear their breathing sounds,
Someone in this world
Is having sex right now.

People are still
having sex.
People
are still having sex.
People are still having sex.
People are still
having sex.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Vida +

Recentemente, numa conversa com um amigo, ele me falava como estava cansado das panelinhas gays do Rio de Janeiro, especificamente Ipanema. Ele vinha saindo com um grupo e cansou da mesmice, da frivolidade etc. É claro que nunca podemos generalizar, mas é um fato que a turminha que malha desesperadamente para desfilar nas boates sem camisa e cheia de ecstasy na cabeça não vai muito além disso num bate-papo...
Para ele, a gota d' água foi um dia, na praia (Farme), um grupo de «amigos» olhou para um cara que estava um pouco mais afastado, sozinho, tomando sol, e um deles disse "vamos lá dar uma atençãozinha a ele, ele está com o hiv..." mas num tom mais venenoso do que realmente solidário. Esse amigo não sabe do meu status, me contou isso sem qualquer intenção, simplesmente queria expressar seu desagrado com as panelinhas das bibas de Ipanema.

Apesar de não estar presente, pude ver como se tivesse testemunhado tudo. Esse tom venenoso que ele sentiu me é tão familiar, apesar de eu fugir de lugares gays e de frequentar casas de amigos onde só vão as "irmãs"...

Vale lembrar que a mentalidade que estigmatiza e discrimina é a mesma que impede que as pessoas façam o teste e procurem tratamento.
Não sei como é no resto do mundo, nem como as pessoas lidam com isso por aí, mas eu realmente gostaria de evitar passar por isso -- ser estigmatizado e isolado socialmente por ser hiv+. Pode ser uma neura minha, falta de auto-estima, enfim, pode ser um equívoco de minha parte, mas não gostaria de me ver exposto desta forma. Já não me enquadro muito nos padrões desta turma: não frequento os mesmos lugares, não uso os modelitos que todos usam para cada ocasião, não sigo os modismos da tribo... e não tenho o corpo saradíssimo nem tomo bala quando saio para me divertir.

Aliás, não sei se todos hiv+ sentem isso, mas eu muitas vezes penso sobre meu corpo, sobre perder ou ganhar peso. Gostaria de emagrecer, ganhar uma massa muscular bla bla bla, mas fico muito dividido entre perder peso e manter um aspecto «saudável», por mais que seja um paradigma contestado pela medicina (a velha história do bebê fofinho...). Como eu ganho e perco peso com uma certa facilidade, fico muito entre o sim e o não na hora de definir minha dieta e escolher entre perder peso ou manter uns quilinhos a mais. Sim, eu sei, é medo dos estigmas da doença bla bla bla, mas estou trabalhando isso e pretendo ver um endocrinologista para equilibrar tudo e ter um corpo saudável mesmo.

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Continuo com meus projetos, dedicado a cultivar novos hábitos, atividades mais saudáveis etc.

Logo conto mais novidades a respeito.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Winds of change


Num post recente falei que faria novas escolhas e mudaria (aos poucos) minha maneira de encarar as coisas e da minha obrigação de buscar a felicidade. E já comecei, fazendo escolhas que estão surpreendendo as pessoas à minha volta e a mim mesmo. Resolvi aprender um esporte radical, uma decisão que abrange alguns pontos importantes no meu momento de vida: uma atividade ao ar livre que não depende de companhia (namorado, amigos etc.) e me coloca em contato com a natureza, me tirando de casa e de São Paulo de vez em quando; uma atividade física nova que me estimulará a melhorar minha alimentação e meu condicionamento físico; um sonho antigo que desejava realizar mas considerava difícil demais para ser feito na minha idade -- resolvi topar o desafio e colocar minha mente e meu corpo focados neste objetivo.
Nem preciso dizer que em duas semanas muita coisa já mudou: preciso me exercitar diariamente para preparar meu corpo para este novo desafio, já faço planos de curto prazo (viagens aos fins de semana) e já mudei meus planos de médio prazo (férias em locais onde eu possa aprender mais e praticar o esporte e ainda incluir curso de língua no pacote!).
Ainda estou dando os primeiros passos portanto quero manter um ritmo lento e constante para não se tornar um episódio de fogo de palha. Como estou saindo de um quadro depressivo moderado, está sendo ótimo ver como meu humor e meu corpo estão reagindo.
Delícia mesmo foi voltar de um fim de semana onde fiz umas aulas e acabei machucando o dedão do pé e a canela... pode soar doido para quem está de fora, mas uma contusãozinha por causa de uma atividade apaixonante é uma coisa maravilhosa para quem está acostumado a ter dores no pescoço e na coluna por causa do trabalho...
Aguardem mais notícias a respeito!


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Ocorreu algo curioso. Na viagem de ida, eu e uma amiga conversávamos sobre mil assuntos e falei de minha experiência com xamanismo e que uma vez tive um contato interessante com uma coruja, que surgiu do nada e me guiou por uma estrada de terra à noite.
Na véspera de virmos embora, estávamos na piscina do hotel vendo o pôr do sol quando surgiram duas corujas, que ficaram próximas de nós. Já fiquei ligado. Saímos para jantar e na volta, vi pela janela do quarto, que as duas corujas haviam se postado no telhado bem em frente ao nosso quarto. Ao acordar para virmos embora, as duas corujas continuavam ali, de plantão. Fiquei na varanda uns minutos para fumar um cigarro (dispenso censura antitabagista) e uma delas ficou olhando fixamente para mim. Minha amiga ficou impressionada por estar um sol forte e a coruja ali, tranquilamente olhando para nós.

To be continued...

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

domingo, 3 de agosto de 2008

Roots

Minha mãe está de visita por uns dias. Fomos à exposição da Bossa Nova no Ibirapuera, uma experiência incrível quando estamos com alguém que viveu parte daquela época.
Numa parte da exposição que mostrava o contexto histórico da década de 40 em diante, quando fiquei impactado com a força daqueles tempos, a efervescência cultural, política, econômica, comportamental...
Minha mãe testemunhou a luta pela liberdade, a opressão militar que torturava e matava seus amigos, os sonhos de uma geração que desejava viver em paz e amar, criando um mundo melhor e mais justo.
Nasci neste contexto. Mesmo com toda a dureza com que o mundo se apresentava, mesmo com toda a violência exercida pelos fortes sobre os mais fracos, mesmo agravando os problemas políticos e sociais com um sistema cada vez mais injusto, meus pais sonhavam com um mundo melhor e acreditavam nesse sonho. E um filho seria uma semente para as transformações desejadas. Eu sou filho da esperança.
Como boa parte da minha infância foi vivida durante a guerra fria, me lembro bem dos programas de tevê que aterrorizavam a todos com a possibilidade de uma crise nuclear, de um tal botão vermelho em Washington que poderia deflagrar o conflito final entre as duas grandes potências mundiais. Hoje, só de ouvir a música do Globo Repórter, fico arrepiado. A voz de Sergio Chapelin anunciando doenças incuráveis (i.e., aids), a iminência de uma hecatombe mundial, a possibilidade de um inverno nuclear causado pela bomba, por cometas ou meteoros... Perdi noites de sono e sofria com a perspectiva de um mundo sentenciado a um destino apocalíptico. Mas meus pais acreditavam.
Nunca fui muito otimista com relação ao mundo, ao futuro... sempre disse que não teria coragem de colocar um filho neste mundo para sofrer o agravamento de tudo que eu vinha testemunhando, o aumento da violência nos centros urbanos, a crise ambiental, a falta de fé nos políticos e nas transformações sociais.
E neste contexto, contraí o hiv. Desde minha soroconversão, tenho questionado tudo que diga respeito a planos de longo prazo, relacionamentos, a construção de um futuro... como se não precisasse nem ter esperança de que algo melhor está por vir, basta viver cada momento e seguir adiante com a vida. Tornei-me um ser possuído por um pragmatismo cínico, o mundo perdeu seu colorido romântico que já tive um dia.
Mas hoje vejo que isso é mais que um equívoco, é uma traição ao amor e à esperança dos dois jovens que me colocaram nesse mundo na certeza de que o ser humano é capaz de transformá-lo, de torná-lo melhor. Devo agradecer pela fé que foi depositada em mim mas tenho que, no mínimo, nutrir sentimentos e pensamentos esperançosos -- e por que não poéticos, românticos...?
Portanto, a partir de agora comprometo-me a buscar diariamente pensamentos mais positivos para desenvolver uma percepção mais otimista da vida. Não poderá ser uma guinada brusca, pois seria artificial. Nem poderei me iludir numa vibe Poliana, pois nem seria compatível com meu intelecto e minha experiência de vida. Mas posso sim, e sei que posso sempre, referir-me a algo superior, um desejo de completude vertical e horizontal, para tirar os pés desse pântano de pessimismo, sentimentos de vítimização e de culpa...
Se a história traz o testemunho de infinitos milagres, a própria vida é um deles mas há tantos outros que mostram a capacidade de superação e realização de indivíduos e povos, posso me alinhar com aqueles que acreditaram e venceram.
Aguardem-me!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Rotina médica

Fui a uma médica hoje, para acompanhamento. Levei os exames desde sempre e ela analisou cuidadosamente um a um. 

Ficou bem impressionada com o estado geral e os números específicos (CD4 e carga viral), mas me pediu para tomar uma bateria de vacinas (tétano, hepatite A, gripe....).

Viu a doideira do exame negativo que tive 1 mês após o primeiro exame positivo e comentou: «isso é só para pirar a gente, né?»

Fez aquelas perguntas de sempre sobre drogas e sexo com proteção, quando perguntou se eu usava camisinha e ela mesma falou «não, né...?» e eu falei «sempre, sempre me protegi muito.»

«Ué, mas como....»

Aí contei a ela como aconteceu e meus olhos se encheram de lágrimas. Vi que os olhos dela também, ela ainda apoiou a testa na mão enquanto escrevia, mas seus olhos ficaram avermelhados e ela fez algum comentário do tipo «que coisa, né...?

Essa empatia faz uma diferença brutal para quem vai ao médico lidar com assuntos tão duros.

Num exame antigo que eu folheei, ainda da época pré-hiv, vi o resultado «não reagente» e meu coração palpitou fortemente, cheguei a ficar meio tonto...

Mas, como ela disse, a batalha está aí, vamos enfrentá-la!

Pesadelo

Uma amiga (que sabe do meu status) virou para mim e disse: «Você está com hiv!!» e nisso apareceu flutuando no ar «Hiv» «hiV» «HiV»  em letras amarelas.

Meu desespero foi enorme. Acordei ofegante, o coração disparado, o corpo tenso... «Ufa! Foi só um pesadelo..»

Foi?